Pedidos e Preces

Publicado 19/05/2012 por vlaurianof
Categorias: Religião

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“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai.” – Evangelho de Jesus Cristo segundo João, cap. 16, vers. 23b-28

Na liturgia da Igreja católica, celebramos no próximo domingo a volta de Jesus ao Céu, depois de ter ressuscitado e permanecido umas semanas com seus apóstolos. Tal seria o tempo de Páscoa, que não se resume a apenas um dia, mas a um grande período de celebrações por aquele que deu-nos vida nova. Jesus fala, neste trecho de despedida colado acima, em uma linguagem muito enigmática acerca de seu destino e do destino próprio dos discípulos. Diz Ele que por ora fala de maneira figurativa, mas um dia falará “claramente”. É certo que muito da linguagem complicada utilizada por Cristo em algumas passagens (somadas às simples parábolas em outras) reflete a dificuldade de se expor ao mundo a realidade invisível que está por trás dele, para uma mente humana tão voltada ao sensível e racional.

Devido a tantas falas complexas, o que se percebeu no decorrer dos anos foram diversas interpretações da palavra de Jesus. Mesmo neste trecho de hoje, podemos perceber como o “pedi, e recebereis” sempre foi visto e ouvido de maneiras distintas. Hoje existem igrejas cristãs que se especializaram nos pedidos: dizem que a prova de que sua “obra frutifica” é o tanto de pedidos atendidos por meio de milagres ocorridos muitas vezes “ao vivo”, em frente às câmeras. A própria devoção popular católica é sinal de que pedir a Deus graças e conquistas é a atitude primordial de muito cristão. Mas é necessário ter cuidado com isto. Primeiro, num sentido devocional: como podemos vivenciar um Deus que só é um “prestador de serviços” a nós? Depois, numa questão lógica: será que Deus deseja cumprir o que pedimos a Ele?

O próprio Jesus nos dá uma pista sobre como funciona o negócio: Ele diz “não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, pois o próprio Pai vos ama”. Ou seja, mandar recados pra Deus por meio do próprio Cristo, dos anjos e dos santos não funciona como uma repartição pública. As preces e as graças estão intimamente ligados com o amor de Deus por nós e nós por Ele, que se dá muitíssimo na vida que levamos no cotidiano. Além disso, tais pedidos são única e exclusivamente para que nossa “alegria seja completa”. Portanto, sejamos felizes por sermos cristãos, e termos um Deus que está sempre aberto ao DIÁLOGO, e não por podermos contar com um balcão de barganhas para pechincharmos um custo menor pela existência.

Ainda o golpe (ou revolução) de 64

Publicado 18/05/2012 por vlaurianof
Categorias: Política, Viagens

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A Ditadura Militar instalada no Brasil em 1964 tornou-se o período mais controverso de nossa história. Não porque tenha sido a única ditadura, ou o único período despótico, ou o único momento em que o poder matou gente; mas porque os personagens da obra ainda estão aí: de um lado, os militares, sempre motivos de desconfiança por sua cara amarrada e senso de messianismo, e de outro os comunistas, que passaram a ser cada vez mais influentes na sociedade desde então. Junta-se tudo, dá o quê? A instalação de uma Comissão da Verdade que busca o revanchismo dos que se acham derrotados (os homens do “povo”) pelos vencedores (donos dos meios de controle da sociedade burguesa). Elio Gaspari (que está longe de ser alguém de “direita”) afirma em seu livro “A Ditadura Envergonhada” que o golpe de 64 foi, sim, um contra-golpe: não fossem os militares, os comunistas tomariam o poder. Vai saber. Mexer com passado é mexer com vespeiro. Reinaldo fala disso neste texto de antiontem. Vale a discussão.

17/05/2012

 às 6:29

COMISSÃO DA VERDADE: Quando a suposta dialética da história vira discurso esquizofrênico. Ou: A grande falha lógica do discurso de Dilma. Ou: Conteste se for capaz!

Caras e caros, de braços dados com a história e a lógica, acho que escrevi o meu melhor texto sobre a Comissão da Verdade. Avaliem.

*
A presidente Dilma Rousseff realizou hoje a solenidade de instalação da dita “Comissão da Verdade” (ver post anterior). Escrevi nesta manhã um longo textoa respeito. Também a mim não me moveu o revanchismo! Até porque tomei algumas bordoadas na luta pela redemocratização do país e tive de aguentar um “agente do regime” no meu pé quando tinha meros 16 anos… Não fui torturado como Dilma nem me tornei o burguês das lutas alheias, como o companheiro “ApeDELTA”, que nunca sofreu, felizmente, um arranhão, embora receba pensão permanente por ter sido “molestado” pela ditadura. A grana deve andar, aí, em torno de R$ 6 mil por mês. Continuo o apaixonado de sempre pelos fatos — aos 16, a minha perspectiva era certamente outra, mas já me incomodava a ideia de que o Estado pudesse sufocar os indivíduos com as suas verdades, a despeito dos… fatos! Por isso me fiz, vamos dizer assim, um “rebelde”. Por isso continuo, vamos dizer assim, um “rebelde”.

Eu me dei conta esses dias de que fui crítico, a cada hora numa trincheira, de todos os governos de Geisel pra cá. E, hoje, costumo bater boca, ainda que indiretamente, com sumidades que apoiaram todos os governos — de Geisel pra cá!!! São mais inteligentes do que eu, claro! O “progressismo” já fez verdadeiros milionários no Brasil. Fui de esquerda quando dava prejuízo. Deixei de sê-lo quando passou a dar lucro! Sujeito burro!!!

Sim, o tempo foi me convencendo, e já há muito é uma convicção da qual não abro mão, de que a democracia é mesmo o pior regime de governo possível, com a exceção de todos os outros, como disse aquele do uísque com charuto… Não é o modelo perfeito, mas é o que permite, ao menos, tratar as diferenças sem ter de avançar no pescoço alheio. Na democracia, “pacta sunt servanda“. E fim de papo! Vale o combinado. Os acordos têm de ser cumpridos. Os contratos não podem ser desrespeitados.

É o contrário do que pensa boa parte — se é que não se fala da totalidade — das esquerdas. Costumam apelar à chamada “dialética da história” para sustentar que leis, mesmo democraticamente instituídas, podem e devem ser desrespeitadas se essa for “a vontade da sociedade”. Chamam de “vontade da sociedade” a pauta que elas próprias definem. Dos 16 aos, mais ou menos, 21, também cheguei a acreditar nisso. Quando descobri que era a porta de entrada de todos os males do mundo; quando me dei conta de que essa perspectiva correspondia à morte do humanismo — à medida que ela não comporta qualquer princípio inegociável —, caí fora! Constatei que se tratava de um mal superior àqueles outros que eu combatia (e que continuo a combater) porque, em nome da resistência e de um mundo alternativo, então tudo era possível. Se me era dado combater o que considerava “imoralidade alheia” com a ausência da moral (coisa de “burgueses”), então a diferença entre “nós” e “eles” é que o mal que preconizávamos não tinha limites. A nossa vantagem comparativa estava em surpreendê-los usando seus métodos detestáveis e indo muito além. É claro que passei a repudiar essa visão de mundo de modo absoluto.

Pois bem. Dilma instalou nesta quarta a Comissão da Verdade. Negou a perspectiva revanchista, embora as declarações de pelo menos três membros do grupo — Maria Rosa Cardoso da Cunha, Paulo Sérgio Pinheiro e Maria Rita Kehl — afrontem de forma clara o texto da lei. Dizem com todas as letras — e contra a letra legal, reitero — que o objetivo da comissão é apurar as transgressões aos direitos cometidas apenas por um dos lados. A Comissão da Verdade não reconheceria (e não reconhecerá), assim, as mais de 120 vítimas que as esquerdas também fizeram no país. É mentira, mentira absoluta, que toda a cadeia de comando que resultou nessas mortes tenha sido identificada. Ao contrário até: assassinos notórios, ou seus partidários, passaram a receber, diretamente ou por meio de familiares, indenização do estado. Não adianta me xingar, me ofender, nada disso. Se puderem, neguem a evidência. Se não puderem, tenham ao menos a coragem de defender que alguns são maus assassinos, e outros, bons assassinos.

No discurso de instalação da comissão, afirmou a presidente:
“Ao instalar a Comissão Nacional da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de forma diferente do que aconteceu, e sim a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem vetos. É a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando um caminho da democracia. O Brasil deve render homenagens a mulheres e homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. O direito à verdade é tão sagrado quanto o direito de famílias de prantear pelos seus entes queridos. Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado e também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Parece bom, mas é a esquizofrenia histórica se fingindo de dialética. Se é mesmo uma história “sem ocultamentos”, então a verdade sobre alguns grupos tratados como defensores da democracia tem de ser devidamente caracterizada. Não é possível que organizações como Colina, VPR e VAR-Palmares, que a presidente conhece muito bem, sejam alçadas à condição de heroínas do regime democrático. Atenção! Nada, nada mesmo, justifica que um agente do estado resolvesse fazer “justiça” com as próprias mãos! Condenar esse expediente, no entanto, não muda a convicção daqueles que queriam uma ditadura socialista no Brasil. E, em nome disso, também mataram. Se a inocência não era um limite para os torturadores e agentes dos porões, foi, por acaso, limite para muitos daqueles militantes?

Dilma diz reverenciar os que “lutaram contra a truculência legal”. Certo! Quando Larmarca, volto ao caso, esmagou o crânio de um tenente da Polícia Militar, depois de um “julgamento” feito no meio do mato por seus pares de terror, ele estava lutando “contra a truculência legal”? Quando uma associação de grupos de esquerda decidiu jogar um carro-bomba contra um quartel, fazendo em pedaços um jovem de 18 anos — Mário Kozel Filho —, tratava-se tal ação de “luta contra a truculência legal”? Quando os próprios esquerdistas assassinaram alguns dos seus, suspeitos de colaboracionismo, era “luta contra a truculência legal”?

A linguagem trai
Como é mesmo? As palavras fazem sentido!!! A gramática existe não apenas para expor a ignorância do JEG. Também é um instrumento para aclarar pensamentos. Prestem atenção a este trecho da fala da presidente:

“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado etambém reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Sabem os gramáticos — e preciso sempre tomar cuidado porque tenho um dos melhores entre meus leitores, Luiz Antônio Sacconi, dono de vastíssima obra na área — que a conjunção aditiva “e” pode ser empregada como conjunção adversativa, pode valer por um “mas”, a exemplo do que faz Dilma. Sua fala pode ser reescrita assim, sem que mude o sentido do que disse:
“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado, mastambém reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Resta evidente em sua peroração a existência de uma contradição entre “os que lutaram contra a truculência” e “os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Ao optar por esse discurso, ela se revela e se trai  também na esfera da linguagem. Ela se revela ao admitir que entende a Lei da Anistia como algo que caminhou no sentido contrário aos interesses daqueles supostos heróis “que lutaram contra a truculência”. Mas ela também se trai ao assumir que, satisfeita a visão de mundo daquela turma, certamente não se alcançariam os “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Vale dizer, por dedução lógica inescapável: se a Lei da Anistia era incompatível com aquela turma, aquela turma era incompatível com a Lei da Anistia.

Não posso fazer nada: eu opero com categorias lógicas. Eu me nego a me deixar enrolar pela retórica oca, pela grandiloquência do… ocultamento!

Algum retórico do Planalto emprestou um coquetel de figuras de linguagem à presidente, que afirmou:
“A ignorância sobre a história não pacifica. Pelo contrário, mantém latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda a apaziguar. O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade. Merecem a verdade factual também aqueles que perderam amigos e parentes. O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Se tem filhos sem pais, túmulos sem corpos, nunca pode existir uma história sem voz”.

Perfeito! Se é o Brasil pacificado que instala essa “Comissão da Verdade”, então, por definição, toda a verdade tem de ser contada, também a das vítimas dos grupos terroristas — ainda que a “comissão” queira chamá-los “revolucionários” ou “amantes da democracia” (o que é mentira!). À diferença do que dizem os petralhas, aceito, sim, pontos de vista diferentes dos meus. Desde que se apontem as falhas lógicas ou as falsidades deste texto.

Texto publicado originalmente às 17h24 desta quarta-feira

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/comissao-da-verdade-quando-a-suposta-dialetica-da-historia-vira-discurso-esquizofrenico-ou-a-grande-falha-logica-do-discurso-de-dilma-ou-conteste-se-for-capaz/

Qual a certeza do cristão?

Publicado 17/05/2012 por vlaurianof
Categorias: Religião, Viagens

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Santa Restituta de Cartago, virgem e mártir

Representação do martírio e da chegada ao porto: 1) Interrogatório da jovem Restituta que declara adorar aquele Deus que criou o céu, a terra e o mar, refutando-se a pronunciar o nome de Júpiter ou de outra divindade. A jovem é conduzida ao cárcere. 2)  Restituta é machucada. Aparece um anjo que a consola chamando-a de mártir gloriosa. 3) Restituta é novamente interrogada e convidada a prostrar-se diante da majestade dos deuses. A jovem refuta sem exitar. Ordenam que a coloquem sob os mais atrozes tormentos.   4) O juiz diz a sentença final: Restituta, ré convicta de sacrilégio (…) será posta numa barca cheia de piche e estopa; será deixada queimando até mergulhar nos abismos dos mares. – Extraído do site da cidade de Lacco Ameno, Itália.

Hoje gostaria de falar de uma santa não muito conhecida, mas que se inclui no grupo incontável de mártires da época de Diocleciano, imperador romano que perseguiu impiedosamente os cristãos. Santa Restituta viveu no norte da África, e sofreu as penas impostas no trecho descrito acima. Mas seu destino não foi o planejado pelos algozes: o barco, mesmo em chamas, chegou a uma ilha da Itália (mais precisamente onde hoje é a cidade de Lacco Ameno), e encontraram o corpo de Restituta sem nenhum ferimento. Porém, as violências que sofreu a conduziram à morte, e ali foi depositada e foi criada para si a maior igreja em seu nome. A título de curiosidade: esta pequena cidadezinha insular italiana comemora até hoje fervorosamente esta festa, inclusive com a representação do martírio da santa. Interessantíssimo.

Mas o assunto que gostaria de abordar rapidamente tendo por base Santa Restituta é a coragem dos mártires: o que movem os cristãos a viverem, ou melhor, entregarem suas vidas a Cristo, chegando até mesmo ao martírio? Lia ontem um texto de uma discussão entre dois filósofos políticos italianos, que falavam exatamente sobre o que move as grandes obras de caridade da Igreja naquele país, e podemos dizer, no mundo todo. Eles arriscam dizer que é o temor (no sentido mesmo de medo) das penalidades de Deus. Depois concluem que só de medo ninguém obedece ninguém; os cristãos esperam mesmo é uma recompensa: fazem tudo pensando no Reino dos Céus que irão receber. Concluem dizendo que isto a república (o Estado) nunca poderá oferecer, e que pode acabar cegando as pessoas.

Sem entrar em outros méritos e/ou fazer rodeios, digo: não é também a promessa de eternidade que move o cristão. Da mesma forma que não acredito que o medo da punição possa segurar os ímpetos de alguém, a fé numa recompensa distante também não consegue. Seria como nos muitos romances onde a mocinha aguarda o amado no cais (ou em qualquer outro lugar), sem olhar mais para ninguém até quando ele chegar. Num mundo cheio de seduções como o nosso, isso é possível? É tão “manipuladora” assim a proposta de Jesus? Não, óbvio que não. Este é o olhar ignorante de alguém que não conhece a fé por dentro. Nem medo, nem privilégios: o que faz com que cristãos como Santa Restituta se entreguem é a certeza de que conhece a Verdade, e que só seu Mestre tem palavras de Vida Eterna. E, realmente, isso ninguém mais pode nos oferecer. Santa Restituta, rogai por nós!

Consumidores, louvai o Senhor!

Publicado 16/05/2012 por vlaurianof
Categorias: Lazer, Religião, Viagens

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Aleluia! Louvai o Senhor nos céus, louvai-o nas alturas. Louvai-o, vós todos, seus anjos, louvai-o, vós todos, seus exércitos. Louvai-o, sol e lua, louvai-o, vós todas, estrelas brilhantes. Louvai-o, céus dos céus, e vós, águas de cima dos céus. Louvem o nome do Senhor, porque ele mandou e foram criados. Firmou-os para sempre, eternamente, deu-lhes uma lei que jamais passará. Louvai o Senhor na terra, cetáceos e todos os abismos, raio e granizo, neve e neblina, vento tempestuoso que cumpre suas ordens; montes e todas as colinas, árvores frutíferas e todos os cedros, feras e animais domésticos, répteis e aves que voam. Os reis da terra e todos os povos, governantes e chefes todos da terra, rapazes e moças, os velhos junto com as crianças, louvem o nome do Senhor porque só seu nome é sublime. – Salmo 148, 1-13a

Está na moda no mundo empresarial falar de responsabilidade ambiental e social. Empresas correm para fazer seus takes “institucionais”, relatando como estão ajudando a mudar o mundo pra melhor. Como um quase-relações-públicas, penso que só existem duas maneiras de se fazer (ou ter) responsabilidade social e ambiental numa empresa: ou de fachada, somente pra fazer bonito nas propagandas e nas embalagens; ou assumindo verdadeiramente o caráter único do nosso planeta e tudo o que nele contém. Por que estou falando de negócios num post de religião? Digo: muitos acusam o capitalismo de ter sido um destruidor do planeta onde vivemos – o que em base é uma realidade – e buscam demonstrar como hoje a “ética” está por cima. Mas o que é ética? O que é responsabilidade social? O que é meio-ambiente?

Estas coisas tão “cool” atualmente não tem nada de novas ou modernas: o fato de pensar na humanidade como algo a se compartilhar ou a se utilizar em seu próprio interesse sempre (repito: sempre) foi questão de posicionamento pessoal. O trecho do salmo de hoje que posto acima mostra como já numa ética muito remota se tinha total consciência do valor da natureza e de todos os homens, compondo um único sistema. Não faltaram teóricos na Grécia Antiga a defender o mesmo. Mas também sempre houve a ganância, a escravidão, a devastação, a destruição, de pessoas, espécies e até sociedades inteiras. Ética não é algo novo, nem algo que possa ser relativizado: ela está pautada sobre uma verdade, que deve ser levada à sério e encarada pelas pessoas, o que nem sempre foi feito.

Qual é esta verdade? Aquela que é expressada no trecho colado acima: todos são convidados a louvar o Senhor por sua bondade. Desde os seres invisíveis, passando pelos grandes astros do céu, fenômenos inanimados, animais selvagens, domésticos, até chegar na humanidade: todos fazem parte de um todo só, que age para um mesmo fim, que une-se em busca de uma mesma realidade. Vale frisar: é na humanidade que tudo culmina; é ela quem tem a prerrogativa de se utilizar de todos os elementos (da energia solar até o detergente de pia) para seu uso, sua vida, seu progresso. Afirmar a superioridade da raça humana é considerado indelicado nos tempos atuais, mas assim o é. Ou o mundo teria sentido sem a presença humana? Haveria uma sociedade de leões?

O homem é que comanda tudo isto, e, portanto, faz o usufruto que lhe é devido. Porém, ele só consegue gerar equilíbrio e harmonia quando trata tudo em sua igualdade de criaturas diante do Criador. Sem este parâmetro, ou caímos no consumismo desenfreado (poderio do homem sobre as coisas) ou num panteísmo pós-moderno (poderio das coisas sobre o homem). Dessa forma, fica claro que responsabilidade ambiental e social não estão distantes, nem são escolhas inteligentes: são pressupostos para a vida na face do planeta. Assim é numa empresa, assim é nas nossas casas. De que vale fechar a torneira ao escovar os dentes mas continuar a menosprezar a esposa, os pais e os filhos? Consciência global: é coisa da Antiga, da Nova e da Eterna Aliança de Deus com a humanidade.

Internet: pitbull do pós-modernismo?

Publicado 24/04/2012 por vlaurianof
Categorias: Lazer, Viagens

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Falar sobre a internet e suas possibilidades é meu assunto do ano. E fiquei feliz quando vi que a coluna de João Pereira Coutinho de hoje fala disso. Do jeito típico do autor português: provocante, irônico, rabugento. Às vezes até mesmo redundante. Tento crer que depois de um ano estudando isto estarei mais maduro na questão, mas hoje vejo que ela não é tão radical quanto Coutinho apresenta no início de seu texto, mas com as delimitações que ele aponta no fim: o dia-a-dia deve ser valorizado sim, e qualquer tentação egocêntrica e narcisística só serve pra destruir relações. É assim fora da internet, por que não seria nela? O colunista afirma acertadamente: estar conectado no Facebook não significa que nosso isolamento decresceu. Mas também não que ele cresceu. Isto é questão de postura humana e menos do meio em que ela se dá. Tomemos cuidado com a internet, especialmente pais com seus filhos. Mas não a tratemos como o símbolo da derrocada humana pós-moderna.

João Pereira Coutinho

Redes e aquários

Digo que só consulto a internet duas vezes por dia -ao acordar e ao deitar. Questão de higiene -mental

Há um novo crime na praça. E eu sou culpado aos olhos de amigos, colegas, até leitores. Não respondo a e-mails de imediato. Só passados alguns minutos -ou algumas horas.
Defendo-me como posso. Digo, a sério, que só consulto a internet duas vezes por dia -ao acordar e ao deitar. Questão de higiene -mental. Curiosamente, quase sempre estou a escovar os dentes.
Ninguém acredita. E, quem acredita, diz que isso não é desculpa: existem uns celulares que recebem e-mails em tempo real e permitem respostas em tempo real.
Agradeço a informação, mas não era preciso: eu próprio já recebi e-mails do gênero, que terminam com a declaração solene “esta mensagem foi enviada por iPhone”.
Nunca sei que responder: mostrar-me abismado com a proeza e aplaudir a grande honra que o sujeito me concedeu?
Às vezes, há situações bizarras. Alguém envia um e-mail. Minutos depois, envia outro, só para perguntar se eu recebi o primeiro. Duas ou três horas depois, vem mais um -dessa vez, uma repetição do inicial, para o caso de eu não ter lido.
Essa comunicação unilateral termina com um quarto ou um quinto, em que sou acusado das maiores baixezas (indiferença, preguiça, hostilidade etc.).
Em poucas horas, alguém iniciou e terminou uma comunicação comigo sem que eu jamais estivesse presente para dizer “presente!”. Que se passa com o mundo?
Os especialistas no assunto, psicólogos e sociólogos que pesquisam os paradoxos da internet, afirmam que estamos cada vez mais ligados e exigimos respostas cada vez mais rápidas uns dos outros. Certo, especialistas do óbvio, certíssimo.
A questão, porém, deve ser outra: que tipo de gente a internet está a produzir no século 21?
Foi precisamente essa pergunta que o escritor Stephen Marche formulou em artigo para a revista “The Atlantic” (“Is Facebook Making Us Lonely?”). As conclusões não são otimistas: estamos todos ligados, mas essa sensação de contato permanente não significa que o nosso isolamento (e a nossa solidão) decresceu.
O Facebook é, inevitavelmente, um caso clássico: que significa esse imenso continente virtual onde “existem” 845 milhões de pessoas, onde se publicam bilhões de comentários diários e onde se postam 750 milhões de fotos por semana?
Stephen Marche não faz parte dos luditas modernos para quem o Facebook é a “bête noir” da civilização ocidental. A resposta dele, depois de ler os últimos estudos sobre o fenômeno, é de uma sensatez que arrepia: a internet é um meio, não um fim. O que somos como seres sociais depende da forma como usamos as redes sociais.
Que o mesmo é dizer: quem usa o Facebook para substituir a realidade não aumenta o seu “capital social”. Pelo contrário, pode mesmo sentir o isolamento típico de um peixe que contempla o mundo através do vidro do aquário. Paralisante. Angustiante.
No artigo, o autor cita um neurocientista da Universidade de Chicago, John Cacioppo, que oferece uma metáfora ainda melhor: podemos usar o carro para ir ao encontro de amigos; ou podemos dirigir sozinhos pelas ruas da cidade. O mesmo carro, duas atitudes distintas.
A internet, e as redes sociais que ela comporta, é apenas um instrumento para, não um substituto de. O desafio, leitor, não está em quebrar o aquário. Está em sair dele de vez em quando.
Sair. Desligar. Não estar disponível. Ou, como escreve Stephen Marche, “termos a oportunidade de nos esquecermos de nós próprios”.
Eis, no fundo, a observação mais luminosa do ensaio: a nossa constante disponibilidade para os outros é apenas uma manifestação mais profunda do nosso insuportável narcisismo. E o narcisismo, como sempre, nasce de uma insegurança que procuramos preencher com o culto doentio do ego.
Pensamos que somos tão imprescindíveis que temos de estar presentes 24 horas por dia na vida alheia. E vice-versa: pensamos que somos tão importantes que os outros têm de estar permanentemente disponíveis para nós.
Lamento, amigos. Lamento, colegas. Lamento, leitor. Os meus silêncios não têm nada de pessoal. Nem eu nem você somos assim tão importantes.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/38861-redes-e-aquarios.shtml


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