Dai a Elvis o que é de Elvis…

Madre Dolores Hart, O.S.B.

“Em Roma, [Dolores] Hart estava fazendo “Where the Boys Are” (1960) e “Francisco de Assis” (1961), quando conheceu o Papa João XXIII, que foi fundamental em sua vocação. “Eu sou Dolores Hart, a atriz encenando Santa Clara”. O pontífice disse: “Não, você é Clara!” (“Tu sei Chiara”, em italiano). – Fonte: Site Catholic Exchange, tradução livre.

Hoje não escrevo sobre uma santa, alguém que viveu há algum tempo (ou muito) e que o Vaticano reconheceu como habitante dos Céus, mas sim de uma pessoa que ainda está no nosso mundo, aos 73 anos, carregando uma história de vida fantástica (alguns lerão “lunática”). Mas acredito que valerá a tentativa, pois também precisamos de histórias assim para nos dar alegria e coragem. Dolores Hart é um nome de peso no cinema dos Estados Unidos. Se “O Artista” ganhou o Oscar de melhor filme na cerimônia do último domingo, um dos votos foi de Dolores. Ao mesmo tempo que concorria na categoria “Melhor Curta-Metragem” o filme “God is the Bigger Elvis” (Deus é o maior Elvis), dirigido por Rebecca Cammisa, que conta a história da atriz.

Não é fácil decidir qual dado da vida de Dolores é mais interessante ou marcante: se ela foi a primeira mulher a beijar Elvis Presley num filme de Hollywood, ou se é a única freira que tem voto na Academia que realiza a premiação do Oscar. Sim, Dolores, ainda adolescente, foi chamada pelo estúdio Paramount para realizar um filme com o grande astro do rock de todos os tempos; depois disso, tornou-se uma das atrizes mais requisitadas, símbolo de beleza de sua época, diva do cinema americano. Em cinco anos, realizou dez filmes. Dois com o ídolo Elvis, outros tantos com outro galã, Montgomery Clift. Estava noiva de um grande empresário, Don Robinson. Tinha todas as credenciais para se tornar uma das mulheres mais prestigiadas da história do cinema; o que na verdade se tornou, de um jeito ou de outro.

Ainda uma jovem, Dolores estava com a cabeça lotada pelo estrelato que só crescia. Um amigo lhe recomendou que passasse um tempo num convento, para que as freiras a ajudassem a pensar. Achou estranho a princípio, mas foi. E gostou. Aos 22 anos, aceitou o papel de Santa Clara de Assis, no filme “Francisco de Assis”, de Michael Curtiz. Lá conheceu o Papa no encontro acima descrito. Quando voltou, o hábito já não lhe parecia somente um papel a desempenhar, mas lhe significava algo mais. Surpreendentemente, em 1962, aos 24 anos, Dolores interrompe sua carreira para se tornar monja num convento da Ordem de São Bento. E até hoje lá está, feliz e realizada com sua vocação, mas nunca se esquecendo de Hollywood. É a abadessa do convento de Regina Laudis, em Bethlelem, Connecticut.

O que nos conta a história de Dolores? Um monte de coisas, principalmente para aqueles que tentam enxergar um pouco longe do próprio nariz. Ela nos é um exemplo de como na vida nem tudo é movido pela dinheiro, beleza e fama. Que o convite do Senhor, para qualquer que seja a função, é irresistível para aqueles que tem ouvidos sensíveis. De que a vida tem algo de maravilhoso, muito maior do que o cinema pode mostrar. Na entrevista que copiei o  trecho acima, ela descreve Elvis: “Ele foi um grande cavalheiro: exemplo de simplicidade, humor e expontaneidade.” Mas para ela, no fim das contas, Deus é o maior Elvis.

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