O Senhor Oposição

Um Estado democrático é composto, invariavelmente, de um grupo que está governando, e outro, de ideias contrárias, que está na chamada “oposição”, ou seja, criticando as ações daqueles que fazem, sempre dizendo que poderiam fazer melhor se estivessem no lugar deles. Isso acontece no mundo todo e faz bem para a saúde dos países, mas muitos dizem – e é real – que é muito mais fácil estar de fora dando palpite do que dentro e trabalhando. Hoje “cerebramos” o aniversário de um personagem marcante na história política do Brasil, pouco lembrado pela população: o jornalista Carlos Lacerda. Sua especialidade? Oposicionar.
Começou já no dia 30 de abril de 1914, quando ele nasceu – ele faria hoje 95 anos – numa família de comunistas, oposicionistas por natureza. Sua carreira de crítico do governo começou com Getúlio Vargas, primeiro armando protestos pelo PCB, depois virando a casaca e juntando-se à UDN. Quando Vargas se elegeu democraticamente, em 1951, lá estava ele tentando achar uma brecha para algum golpe que tirasse o gaúcho de lá. Até que em 1954 Lacerda sofreu um atentado que se comprovou, pelas investigações, ter partido de homens do governo. Carlos e seus homens fizeram um tamanho rebuliço que culminou com o suicídio do Presidente, fato histórico do país. Lacerda foi “acusado” pelo fato, pois teria feito toda a pressão para que Vargas chegasse a esse ponto. Resultado: ele foi para o exílio, fugindo do povão que estava irado.
Passada a Era Vargas, Carlos Lacerda e sua UDN foram contra o governo de JK, que só conseguiu se manter vivo – e construir Brasília – porque manteve a União bem calada, numa censura clara. Mas eles conseguiram tirar Juscelino do poder democraticamente, colocando o magnífico Jânio Quadros no controle. Pouco tempo depois, porém, eles mesmo viram o grande erro de colocar o “Varre, varre vassourinha” na presidência, e produziram a pressão na mídia que também gerou a renúncia de Jânio. Terceiro presidente na conta de Lacerda.
Quando João Goulart assumiu, lá estava nosso Homem-Oposição presente, tentando tirá-lo e colocar no lugar o incomparável Regime Militar. Mais uma vez obteve sucesso; mais uma vez uma escolha errada. Percebendo isso de novo, ele tornou-se a oposição à Ditadura também, mas aí o tempo fechou: a UDN foi extinta e seu mandato de deputado cassado. Para finalizar, morreu de gripe – muitos dizem que foi sabotagem do serviço de inteligência militar, que teria assassinado ele, JK e Jango na mesma época. Um desfecho perfeito para aquele que nasceu para ir contra a maré.
Obs.: Carlos Frederico Werneck de Lacerda morreu em 21 de maio de 1977.
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