A diferença entre um movimento social e uma milícia

     O Brasil, nosso país, é construído sobre alicerces de desigualdade. Não, essa não é uma boa maneira de se iniciar um texto, particularizando problemas: o mundo, o desenvolvimento humano mundial como um todo é assim alicerçado, com o peso da carga sendo carregado pelos pobres. Achar a origem dessa questão é tarefa de filósofo: tanto Thomas Hobbes quanto Jean-Jacques Rousseau tentaram responder à indagação sobre a  origem da desigualdade, na mesma época. O primeiro, disse que o homem vivia num estado de guerra e barbárie e que o Estado iria colocar tudo nos eixos; o segundo, por sua vez, observou uma piedade natural do homem primitivo, e concluiu que foi o Estado Moderno que o tornou insensível e egoísta. São apenas teorias.

     Independente dos teóricos, qualquer um que estudou a história do mundo percebe que sempre as civilizações se basearam num modelo de senhores e servos, fato muito bem observado por Karl Marx. Este último, porém, fez uma previsão um tanto quanto impensada: os caminhos que o mundo estava tomando iriam automaticamente acabar com a desigualdade vigente. Escrita há mais de cem anos, o ideal marxista ainda alimenta movimentos sociais mundo afora. É justo que se reflita sobre a situação de vida de muitas pessoas por aí, mas é necessário que se perceba que o problema é muito mais endêmico ao modo de vida humano, do que devido à inatividade dos oprimidos.

     O que aconteceu na geopolítica mundial após a vitória da Revolução Bolchevique na Rússia em 1917, quando os comunistas tomaram o poder, é que a violência – física, psicológica, em todas as vertentes – foi considerada arma justa para se lutar pela igualdade. A origem disto vem de séculos anteriores, quando já na Revolução Francesa de 1789 muitas barbaridades foram cometidas para se colocar a burguesia no poder. Pelos meus conhecimentos humildes da teologia cristã, nunca percebi Jesus como um revolucionário social. Oferecia sim, para os que se encontravam cansados, o seu jugo, que era leve e suave. Não me lembro de alguma passagem onde ele incitava ou apoiava os essênios e zelotas que combatiam com revoltas a dominação romana de Israel.

     Na escola, uma das primeiras palavras difíceis que aprendemos é o tal do "êxodo rural": onde os agricultores foram obrigados a deixar suas propriedades para buscar emprego nas indústrias recém-nascidas. Foi um movimento que aconteceu no mundo todo, e nos países desenvolvidos, em maior escala que no nosso país. Por isso hoje, no Brasil, vivemos um impasse. Mais uma vez o movimento ilegal – pois não é regitrado como um – dos Trabalhadores Sem-Terra, depredou uma fazenda produtivíssima, pra "chamar atenção" para o problema da concentração de terras, que tem como origem o fenômeno que já expliquei. O pior: este movimento que a cada dia mais se assemelha a uma milícia armada do que como representante de uma classe oprimida da sociedade, tem o apoio de um setor da Igreja.

     Marx dizia que a religião era o "ópio do povo", e os regimes comunistas se esforçaram em confiscar os bens da Igreja e a sugar toda a fé das populações sob seu comando. Quanto ao MST e sua ligação com a religião, não consigo entender suas razões: pela violência, em nome da justiça, destruir bens particulares e prejudicar vida de inocentes. Em vez de trocarem o jugo pesado da sociedade desigual pelo fardo leve de Cristo, alguns preferem as armas e sua inevitável colaboração para a perpetuação do ódio e da guerra. Como avançaremos rumo à igualdade assim?

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