“Ninguém segura a juventude do Brasil”

Pra quem não reconheceu a citação do título, ela faz parte da música "Eu te amo, meu Brasil", composta e executada pela dupla Dom & Ravel, utilizada pelo governo militar brasileiro como pano de fundo das propagandas políticas. Depois de "Bota o retrato do velho" na era Vargas, Dom & Ravel na ditadura, hoje novamente temos um Presidente da República chegado nas musiquinhas. E como nos anos de chumbo, um Presidente que gosta de utilizar em sua propaganda de governo uma figura ímpar: o jovem. Aquele: sorridente, prestativo, inteligente, crítico e desejoso de uma sociedade melhor.
 
O assunto que quero chegar é o daqueles estudantes que se comportaram pior que macacos na tal UNIBAN em São Paulo, por causa de uma moça que estava com o vestido um pouco mais curto que o habitual. Na verdade esta primeira parte já não compreendi bem: é tão normal vermos roupa curta por aí que para gerar aquela reação o vestido devia ser um cinto, no mínimo. Eu sei que é um assunto já antigo, mas tive que refletir um tempo para escrever sobre ele.
 
E o que me motivou a escrever? O fato de ser semelhante àquela "macacada" – peço perdão aos macacos pela analogia – que transformou aquela Faculdade numa algazarra. Como eles, sou jovem. Sou "universitário". Pertenço basicamente à mesma classe social. E, acreditem se quiser, nada daquilo pra mim foi extrema novidade. Quem convive comigo sabe que chamo meus colegas aqui frequentemente de símios. A juventude de hoje – não sei se as passadas eram diferentes, pois só convivo com a minha – é assim: apegada aos sentimentos, certa de que não haverá consequências de seus atos. Talvez pois se sentir protegidas pelos pais, ou pela sociedade ineficiente.
 
A minha juventude, que surgiu no novo milênio, não tem valores. Não tem regras. Seguem apenas às suas vontades e abominam os "velhos" que tentam dar lição de moral. Infelizmente, não me espanto com o comportamentos dos colegas da UNIBAN. Me assusto quando vejo propagandas que santificam e supervalorizam a capacidade da juventude. Os jovens de hoje vivem num Woodstock piorado: as drogas ficaram, as ideias se foram. Cabem àqueles, que conseguem ver esse cenário, gritar aos ventos que algo está errado, mesmo que sofram os preconceitos daqueles que se acham corretos.
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One Comment em ““Ninguém segura a juventude do Brasil””

  1. Padre Sandro Rogerio Says:

    Quanto ao escrito, Vinícius, o estilo é apropriado aos acadêmicos. Recuperando um pouco de história, o relaciona aos fatos presentes. Dando assim ao seu parecer um “quase fator dobradiça" da história; uma vez que partindo do “antes” histórico ao “fato” presente, passando pelo “Seu olhar” como a lente que faz ver a realidade.É isso aí, você não destoa da realidade universitária cujo conjunto da obra é feio. E desenhar belamente o feio é tarefa inglória, pois revela o que todos vendo não querem ver nem admitir. O propósito do seu texto talvez tenha sido o de demonstrar a sua insatisfação de estar no meio dos que não se veem protagonistas da "barbárie" in gérmen que se tornou o mundo universitário sempre a busca do diploma, mas não sempre do conhecimento que gera melhorias “éticas” para a humanidade.


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