Um líder sorridente, um porrete pros vagabundos e pão para os pobres

Há exatos 72 anos atrás, as rádios de todo o país transmitiam incessantemente o discurso do Presidente da República, Getúlio Vargas. O que ele dizia era uma série de desculpas para justificar o fato de ter diluído as eleições, fechado o Congresso e aprovado uma nova Constituição. Era o início do Estado Novo, um dos períodos que considero mais intrigantes da história desse país. Por quê?

 

Porque ele demonstra como uma figura carismática é fundamental para nosso povo. Porque ainda hoje Getúlio é tido como o maior Presidente que este país já teve. O “Pai dos Pobres”. Mas o que era o Estado Novo? Uma ditadura. A nova Carta Magna aprovada em 10 de novembro de 1937 iria prolongar o governo de Vargas, que já vinha desde 1930, até 1945. Se você sair por aí perguntando para as pessoas o que elas acharam da ditadura militar, a esmagadora maioria vai dizer que foi negativa. Mas e a ditadura getulista? Por que ela foi tão boa?

 

Ela fez avanços para o país? Fez. Principalmente para o povo. Mas os militares também trouxeram coisas boas. A diferença era aquelas carrancas que eles carregavam na face. Um pesadelo, comparado ao sorriso do Velhinho. O Estado Novo mostra, para mim, como a democracia, a transparência dos governantes e a própria política é descartável no Brasil. Em nome de míseros avanços na qualidade de vida da maioria pobre da população, tudo se justifica.

 

Se Getúlio parece de uma época distante, temos hoje na Presidência alguém que quer ser mais que o Barrigudinho. O Barbudinho não cansa de repetir “nunca na história desse país”, algo que Vargas gostava de falar também. Ambos se acham o Messias. Lula se compara a Jesus com todas as letras. Vocês acham que o povo não apoiaria um golpe de Estado de Luís Inácio? É lógico que sim. A diferença é que ele não tem os fantasmas que rondavam Vargas: comunismo, fascismo, nazismo. O mundo hoje é liberal. Lula culparia quem para continuar no poder? A oposição? As privatizações?

 

Esses oito anos do Partido dos Trabalhadores no poder foram o Novo Estado Novo. Sem polícia na rua, mas também com poderes irrestritos ao carismático presidente. Ano que vem, nesta data, já saberemos se Lula conseguirá continuar no comando – mesmo nos bastidores. Será mesmo que ele é mais que Vargas? No romantismo, já perdeu. Devia ser muito mais emocionante ouvir discursos pelo rádio, ao invés dele atrapalhar o intervalo do nosso Jornal Nacional.

 

[Um texto para relembrar o assunto e o tom do blog já desativado "Cerebrando o Cotidiano" (www.cerebrandoocotidiano.blogspot.com)]

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