O Verbo que se encarnou

O homem vive a vida de acordo com os verbos. Sejam eles transitivos ou intransitivos, pautam a vida humana. Sem eles não há língua. Sem língua não somos nada muito além de animais. Melhor dizendo: sem verbo não existe oração, e sem oração, não há porque o verbo existir. Vale lembrar das aulas de português. Mas esse papo vai muito além da gramática.

Qual é o verbo que impera na vida da maioria das pessoas? Talvez "ganhar". Em muitos o mais importante é "lucrar". Para outros, é simplesmente "viver", assim, sem sujeito e sem predicado; ou seja: sem oração, sem razão, sem porquê. Outros tantos não largam do verbo "curtir". Somando todos esses aí geralmente se chega no verbo "aproveitar". Para avançar um pouco mais na aula de gramática, a maioria deles hoje vêm no imperativo: "ganhe!", "lucre!", "viva!", e por aí vai.

Todos estes verbos, chamados "de ação", muitas vezes não cumprem seu papel direito. Afinal, quando se "lucra", se pensa no sujeito que lucrou, no objeto que foi lucrado – seja ele direto ou indireto – e talvez no adjunto adverbial: onde, como, quando e em que meios se "lucrou", se "viveu", etc. Mas todo verbo de ação envolve um outro sujeito, que mesmo omitido na construção sintática, está lá. Ao se "lucrar", lucra-se DE ALGUÉM; ganha-se de alguém; vive-se COM ALGUÉM. E isto está bem esquecido, mais na vida das pessoas do que nas aulas de língua portuguesa Brasil afora.

Quem está fora de moda são os verbos de ligação. Presta-se cada vez menos atenção no "ser" e no "estar". Como é difícil de parar pra pensar em quem somos, onde estamos, porque estamos. Apenas queremos "ir", "andar" e muitas vezes "correr", o que frequentemente nos leva a "tropeçar".

Deixando essa salada de frutas verbais para lá, quero lembrar que estamos perto do dia em que recordamos àquele Verbo, que se fez carne para habitar no meio dos homens. E também nesta época está presente um verbo esquecido: "esperar". Não temos mais paciência de esperar o que há de vir, queremos o "agir", o agora, o urgente. Que tal usar esse tempo para "acalmar" tantos verbos por aí? Que tal começarmos a "acreditar" em algo maior? Talvez assim, possamos ter um bom Natal, para "mudar" e "inaugurar" um novo tempo em nossas vidas. Tempo em que o Verbo mais importante é aquele, com V maíusculo, que veio em forma de menino e abriga tantos outros dentro dele, como "perdoar", "pacificar", "auxiliar". É o tempo do verbo "AMAR".

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