E onde está Deus nisso tudo?

Desastres naturais são sempre causas de espanto e reflexão em todos, mesmo naqueles que não são muito afeitos à filosofia ou teologia. Essas grandes catástrofes são mostra explícita da fragilidade humana perante outra entidade não menos frágil: a natureza. Potencializada pelas desventuras produzidas pelas próprias mãos dos homens – mais freqüentes e mortais do que as naturais -, esses acontecimentos geram todo tipo de calamidade onde ocorrem, relegando à penúria máxima os viventes da situação.

 

Àqueles que assistem e nada podem ajudar diretamente restam debates, discussões e orações, o que muitas vezes desemboca em revolta. É frequente encontrar pessoas nessas horas perguntando “onde está o Deus bondoso e onipotente agora?”. Talvez não seja tão complicado responder essa questão. Primeiramente é necessário retirar do imaginário o deus panteísta que se revela na natureza. Para nós, cristãos, Deus Pai é Amor, invisível, onipresente e onipotente; a natureza é criação dele, como os homens. O primeiro argumento que se deve riscar, portanto, é o acontecimento como “castigo divino”.

 

Onde Deus se manifesta então, nessas situações? Ora, Ele aparece pela mesma obra de Sua criação, feita à sua imagem e semelhança: o homem, que – no paradoxal mistério da vida – é também veículo das maldades, do pecado e do desamor. Como explicar, senão desse modo, como os mesmos líderes mundiais, que se reuniram há pouco tempo para resgatar banqueiros super-poderosos e que acabam por financiar tanta miséria contínua no mundo, conseguem – em tão pouco tempo – mobilizar tanta gente para financiar ajuda à calamidade no Haiti?

 

Talvez o exemplo maior da maneira como Deus se apresenta por meio do ser humano é a Dra. Zilda Arns, que por uma grande coincidência foi também vítima do desastre natural em terra estrangeira. Dra. Zilda era não mais que uma mulher, mas que bem utilizou-se de suas mãos humanas e de ideias criativas para conseguir mudar a vida de tanta gente em sua passagem pela terra, transmitindo muito mais que calorias para crianças, mas amor para famílias.

 

Por isso chego à conclusão de que Deus – que é Amor – está presente nas calamidades, e também no dia-a-dia, no sentimento que é um dos desdobramentos desse Amor maior e onipotente: a solidariedade, que está nas grandes potências que resolveram ajudar, na Dra. Zilda e na sua vida abençoada, mas principalmente nas mãos anônimas que continuam em solo haitiano, ajudando e fazendo o impossível para dar conforto e recuperação aos sofredores. Por nossa distância desses homens e mulheres, desse acontecimento, dessas fatalidades, devemos nos preocupar menos em julgar fatos e mais em rezar por aqueles que estão encarando a realidade com seus próprios olhos e mãos, tornando-se verdadeiramente instrumentos da misericórdia, bondade e solidariedade do Deus Verdadeiro.

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