Deus, a Natureza e o Homem

Viajando por lugares desconhecidos, paisagens inovadoras, nos turismos-ecológicos que existem por aí, numa fuga para a zona rural das nossas cidades, ou mesmo num vaso de flor dentro de nossas casas, encravadas na selva cinza de concreto e asfalto. Em todas essas situações sentimos ter um contato próximo e especial com a natureza, essa entidade formada por seres vivos e não-vivos, elementos químicos e pela beleza da combinação disso tudo. E quanta beleza.

Talvez esteja na natureza as coisas mais belas que nossos olhos podem ver (lembrando que o próprio sentido de beleza é relativo), e por isso muitos já ligaram as belezas naturais à uma prova da existência de Deus. Na escola aprendemos que tudo são átomos de uma centena de elementos que se combinam e recombinam, formando essas coisas aí que seus olhos podem ver. É então que fica mais estúpido ainda pensar que tudo isso foi obra do "acaso". Mas não é isso que pretendo discutir aqui.

Essa natureza que nos cerca é realmente bela, e sendo bela, obra divina. Mas é obra. Deus precede a todas essas coisas. Para quem crê na Bíblia Sagrada, basta abrir o Gênesis, e lembrar que no início, Ele pairava sobre as águas – que se confundiam com o firmamento e com a terra seca – na escuridão; o caos inicial. Não havia nada, nem árvores, nem homens, nem ursos polares, nem aquecimento global, nem efeito estufa. Só Ele. Para quem crê na ciência, já existem provas que o mundo possui uma idade, um início – e, sem dúvida, um fim.

Escrevia esses dias sobre o "preservacionismo fundamentalista" que é pregado hoje nos debates sobre o aquecimento global, colocando a natureza acima do homem. Fui assistir no cinema o filme "Avatar", que mostra um povo onde a natureza é tudo, eles vieram dela, irão pra ela e se ligam a ela por um cabo USB (literalmente). Vejo agora alguns cronistas e articulistas falando sobre a "vontade de Deus" no terremoto do Haiti. Então, achei necessário esclarecer essas coisinhas.

No aspecto religioso (pelo menos nesse eixo judaico-cristão-islâmico), Deus precede à natureza e não a criou para ser marionete sua; pelo contrário, criou-a para usufruto humano. E seria panteísmo acreditarmos tanto na presença de Deus na natureza, voltando aos costumes indígenas – também tão supervalorizados hoje – do séc. XV pra trás. É o homem – a alma humana – que foi criada à imagem e semelhança de Deus, não a "aura" que envolve tudo que é natural. Os animais vivem em harmonia e (cá entre nós) não têm muitos anseios na vida. O homem é a diferença. O homem é que é especial. Os pandas são bonitinhos, mas só querem comer seus bambus tranquilamente.

Vamos ao aspecto científico: Carlos Heitor Cony citou, na sua coluna na Folha, que Voltaire, à sua época, disse que não acreditaria mais em Deus após o terremoto que arrasou Lisboa, em 1755. Talvez lá ainda não haviam muitos estudos sobre geologia, mas hoje é muito simples – mesmo – de explicar: a crosta terrestre é quebrada, formando as chamadas placas tectônicas, que vivem à deriva sob o magma; sendo assim, elas volta-e-meia resolvem se mover, provocando os abalos sísmicos: terremotos. Nada de influência divina nem humana.

Agora, se Deus fez o mundo dessa maneira pra que de vez em quando o negócio desandasse aqui, é outra história; mas talvez o mundo é assim porque não haveria outro modo de ser. Mas não me venham confundir as coisas: Deus é Deus, natureza é natureza, homem é homem. Coisas distintas nesse mundo que vivemos. Deus dá ao homem o livre-arbítrio, a natureza dá ao homem o que comer, e o homem se dá amor e ódio. E os terremotos estão aí pra nos mostrar que a natureza é bela, mas não é perfeita. Perfeito nesse jogo, só Deus e seu Amor. E chega de desculpas esfarrapadas. Não em pleno séc. XXI.

PS.: E não vale também apelar pro "sentimentalismo natural": a natureza não fica brava ou feliz. Ela apenas segue suas próprias leis, que há séculos nos esforçamos em descobrir, conhecer e registrar. Ponto final.

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