Quem sabe a verdade dos fatos?

“Foi para falar da Verdade que eu vim a esse mundo. Quem está do lado da Verdade ouve minha voz”. Essas foram as palavras de Jesus ao ser interrogado por Pôncio Pilatos antes de ser condenado à morte. O diálogo termina com o governador romano questionando o Nazareno: “O que é a verdade?” Talvez essa foi a pergunta mais feita pelos homens desde que nós começamos a pensar.

 

Mas não trato aqui dessa Verdade que Cristo diz, da qual Ele é o arauto, ou melhor, a qual Ele é, acima de tudo. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, já dizia Ele. A verdade que busco está um pouco aquém, aqui mais perto (ou talvez mais longe) da nossa vivência. A verdade que o papa Bento XVI questionou em sua encíclica “Caridade na Verdade”. As duas não vivem separadas, mas se referem a coisas distintas. Enquanto a Verdade que é Cristo trata da maior de todas as Verdades, que nos explica o início e o fim de tudo, o alfa e o ômega de nossa existência, a verdade que questiono aqui é aquela das coisas pequenas e fúteis, dos acontecimentos ignóbeis do cotidiano da humanidade que o homem insiste em querer descobrir, em querer desvendar.

 

A grande invenção do homem para a descoberta da verdade seria a chamada Ciência, que realmente desvendou muitas verdades presentes na natureza. Descobriu do que ela é feita, como ela funciona, seus ciclos, etc. Isso é inegável. O problema passa a existir quando se confunde medicina com psicologia, anatomia com humanidade. Quantos e quantos senhores do conhecimento das ciências da natureza não acreditam também ter a sabedoria social? Muito enganados estão quando pensam em conhecer o ser humano apenas pelas sinapses de seus neurônios. Fundando a dita “ciência da sociedade”, o homem quer colocar seu método científico natural na história, na geografia, na sociologia, na filosofia, na teologia e até na astrologia barata de horóscopo de porta de boteco.

 

Querem olhar para o passado e emitir juízo de valor, sendo que os que lá estavam e – talvez – poderiam dizer algo relevante, já não estão aqui. Querem ver os acontecimentos do presente e tirar deles culpados e vítimas, sendo que não tem – e nunca terão – distanciamento suficiente para analisá-los. Querem prever o futuro com base em estimativas e probabilidades que são apenas números sem conteúdo nem sentido.

 

Depois de viajar por essas ideias e ouvir várias baboseiras por aí, penso que o homem que crê ter conhecimento da verdade é o mais estúpido e infeliz de todos. E concluo também que quem realmente está do lado da verdade, escuta a Verdade que o Redentor nos diz: só Ele é a Verdade que nos é realmente útil. Quanto ao que aconteceu, acontece e acontecerá, permaneçamos numa sutil ignorância, que nos faz viver mais despreocupados e em paz. Perdoa-se quem estava errado, cala-se quem estava certo. E que não nos iludamos com mentiras bem contadas que até parecem ser verídicas.

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