As pessoas pelo que elas são

Como é difícil encontrar nos dias atuais pessoas fazendo algo que parece muito básico: pensando. Talvez seja o mundo digital, com as cores e os sons atrativos da televisão e da Internet que nos tirem o tempo de refletir, ou como dizia minha avó, de "pensar na morte da bezerra". Mas talvez muitas pessoas ignorem que é exatamente quando estamos relembrando e analisando fatos passados – talvez não necessariamente o falecimento da filha do boi – é que chegamos à conclusões que ajudariam bastante na nossa vivência com as outras pessoas e conosco mesmo.
 
E essa é a resposta mais frequente quando se questiona o que diferencia o ser humano dos animais. Se somos racionais e eles não, cabe lembrar que não se chega a racionalidade nenhuma sem os devidos instrumentos e se eles não estiverem devidamente afiados. Mas qual é o principal instrumento da razão? A linguagem. Isso já dizia Rousseau em seu "Ensaio sobre a origem das línguas". E se no mundo hoje falta discernimento, autocrítica e poder de omitir opinião, talvez seja por causa da alta taxa de analfabetismo – funcional ou aquele bruto mesmo – que assola a população.
 
É só fazer uma pesquisa rápida e simples – uma visita, por exemplo – a uma escola pública, e se verá como as crianças ainda não sabem ler e escrever, já com seus onze ou doze anos. Me atrevo a colocar dois motivos aqui: falta de incentivo dos pais e da própria escola. Esses dois fatores fazem estudar ser "chato", e fazem da descoberta da ciência algo obrigatório. As próprias ações do governo colaboram no sentido de querer colocar as crianças dentro da escola, mas não se preocupar em fazê-las gostar de estar lá.
 
Muitos poderão me questionar sobre a relatividade da ciência e se a ignorância talvez não seja um caminho mais indolor na estrada da vida. Já me questionei sobre isso várias vezes. Mas hoje vejo que se não se sabe ler, escrever, calcular e se expressar corretamente, não se consegue pensar. E se os olhos da razão das pessoas se abrirem, talvez seja realmente mais dolorido a visão do cotidiano, mas também seja mais fácil de se resolver problemas internos que aterrorizam as existências. Não creio que seja de todo mal, mas no atual andamento do mundo, acredito ser impossível do homem querer viver como os animais.
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