O que fazemos de nossas vidas

Desde minha infância aprendi que existem duas coisas na vida humana que são chatas, ninguém gosta de fazer, mas são obrigatórias: quando se é criança, estudar; depois de adulto, trabalhar. Criança choraminga mas vai pra escola porque lá vai ver os amigos; adulto choraminga mas vai pro trabalho porque tem de pagar as contas. Mas sempre questionei essas ideias, talvez pelo fato de não achar a escola algo tão maçante assim.
 
Muito observador que sou, sempre fiquei de olho na vida dos adultos que me cercavam, e – como é impossível separar – dos seus trabalhos. Cada um na sua função, uns ganhando mais, outros menos, mas sempre reclamando e demonstrando infelicidade. Hoje arrisco a responder o porquê: talvez as pessoas encarem tanto o trabalho como a escola como algo passageiro, como uma necessidade inalienável que – por mais paradoxal que pareça – toma quase o dia inteiro do indivíduo. Por que não ver de outro modo?
 
Reportagem de hoje do caderno "Saber" da Folha de S. Paulo mostra cinco rapazes e uma moça que foram "top score" no vestibular da Fuvest em 1995. O resultado não é surpresa, pelo menos para mim: cinco deles não atuam mais na área do curso que cursaram. Já tive uma experiência dessa e posso dizer que a forma como as pessoas encaram os estudos, a profissão e a anterior preparação para ela numa faculdade, está errada.
 
Nesse debate entra o quesito "profissão versus vocação". Certo dia me peguei pensando: como pode um profissional como o enfermeiro ou o médico viver o desgastante dia-a-dia da sua profissão sem encarar isso como vocação de sua vida? E, devido às cobranças que aparecem em todas as atividades, penso que isso se enquadra para todo mundo.
 
Acredito sinceramente que todos têm aptidão para algum tipo de profissão, seja ela bem ou mal remunerada. Obviamente, para se fazer o que gosta é necessário ficar à mercê das oportunidades do mercado. Mas deixo a questão: num emprego não-ideal, não dá pra colocar algumas ideias referentes às nossas aptidões, e assim, tornar a vida mais agradável? Afinal, trabalhar não é mais uma atividade, é um dos pilares da vida da pessoa, junto com o sono e a família. Pelo menos, era onde deveríamos gastar mais o nosso precioso tempo que não volta.
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One Comment em “O que fazemos de nossas vidas”

  1. Bruno Says:

    Mas deixo a questão: num emprego não-ideal, não dá pra colocar algumas ideias referentes às nossas aptidões, e assim, tornar a vida mais agradável?Mais um comentário: isso depende completamente do trabalho em q vc está,de suas condições financeiras e de sua remuneraçào.Não se sei está a par, mas ainda hoje existem empregos que a únicadistinçao que tem de escravidào é o fato de serem remuneradose ngm ficar dando chicotada, ex, o comércio.


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