Eu e você nos 30 anos do PT

O Partido dos Trabalhadores está completando esta semana trinta anos desde sua fundação. Nascido na época da ditadura militar já moribunda, colaborou para a derrocada mais rápida do regime. Seus fundadores eram intelectuais, sindicalistas, membros da Igreja, entre outros. Mas não é esse aspecto histórico do partido que pretendo abordar aqui, até porque me faltam conhecimento sobre os dados exatos. O que me interessa é o que já sei, que está guardado nas entranhas de minha memória, nesses vinte anos de fundação da minha vida.
 
Aindo busco explicações para minha antipatia com o PT. Para quem ainda não sabe, sou filiado da Juventude Democratas, menos por afinidade das ideias do DEM, mas por falta de escolha e por escolher alguém no outro extremo da política dos estrelas-vermelhas. Por que tenho essas ideias? Entendo assim: na minha infância PT era sinônimo de oposição, e Lula era sinônimo de loucura. Somente quando o Barbudo disse na "Carta aos Brasileiros" (ou algo assim) que não iria ser tão radical quanto os ideais petistas, aí o povo gostou dele. Ah, ele teve de aparar a barba também. A partir daí o partido começou a existir cada vez menos.
 
Hoje a sigla é apenas uma base de apoio às ações do – como diz Elio Gaspari – Nosso Guia. De oposição mais chata que já existiu, passou a ser a situação mais chata que já existiu. E devido ao "jeito PT de ser governo" – aparelhamento do Estado, corrupção para compra do Legislativo, ineditismo aclamado num populismo reprisado – Lula teve até que se desgarrar do partido. Na última eleição – e dessa me lembro bem – nem vermelho tinha no material de campanha. Mas o socialismo-messiâncio-proletário-do-século-XXI defendido pelas bocas falantes da sigla (aquele mesmo que Lula não usou em seu governo) continua forte nas universidades; e isso me deixa irritado.
 
O Partido dos Trabalhos é, na minha concepção humilde, essa estrovenga que alia militantismo fantasioso com realidade desavergonhada. É ainda essas duas letras mágicas que embalam os sonhos de cientistas sociais acadêmicos de ainda verem em prática teorias marxistas que já foram comprovadamente desacatadas na prática e na teoria. Luís Inácio, em sua soberania majestosa, ainda teve o senso de mudar o rumo do seu leme para não afetar os caminhos do país. Agora, se nas próximas eleições um governo realmente "do PT" for eleito, não sei o que esperar. Seria bom pra democracia encerrar por aqui essa época. Dos trinta de existência, passar oito no poder já está bom demais.
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