O liberalismo moral e/ou o semi-pudor dos Estados

Está na moda hoje o governo se dizer neutro, laico e imparcial. Realmente, na pluralidade que é o mundo de hoje, um governante que se preze não pode favorecer nem privilegiar o lado de ninguém. Digamos que vivemos numa época de liberalismo moral, ao contrário da cada vez maior intervenção que o Estado faz na economia nessa gestão.
 
Em determinadas situações, porém, é impossível que o Estado não se manifeste em relação a algo ser certo e outro algo ser errado, principalmente no que se trata na justiça, que vela pela segurança da população. Como o Estado sabe que matar é errado? Talvez a resposta seja o "neutro, laico e imparcial" direitos humanos. Mas como o plano que trata desse assunto que o atual governo redigiu trata que o aborto deve ser legalizado? Então o Estado tem de tomar partido sobre onde matar é errado e onde matar é passível de perdão.
 
Essa questão do liberalismo moral do Estado (gostei da expressão) está aparecendo bastante no carnaval. Acabei de ver uma propaganda do governo em que se estimula o uso de preservativo tendo como garotos-propaganda um casal de gays; no fim, eles apenas se abraçam – ou seja, um semi-pudor por parte do marketeiro. Mais absurdo ainda é o caso da cidade do interior de São Paulo que proibiu a execução de funk e rap no carnaval; quem for pego tocando esses tipos de música em público será convidado a trocar o CD, e se resistir, vai pro xilindró.
 
Realmente, é um debate e tanto esta questão. Mas, nesse último caso, vejo uma afronta clara à liberdade de expressão; além de um preconceito parecido com o da década de 30, onde as rodas de samba eram perseguidas no Rio de Janeiro pela polícia. No caso da propaganda do governo, como católico, sou contra o incentivo do uso do preservativo – e, por conseguinte, do sexo banal -, e muito mais num casal homossexual. Um mal gosto desnecessário, assim como a coluna de José Sarney na Folha de ontem (não recomendo a leitura).
 
Só cheguei à uma conclusão: por causa desses encontros e desencontros, os governos – não só aqui, mas no mundo – devem tomar uma decisão em relação à essa moral vacilante e frouxa. E continuar sendo Estados "neutros, laicos e imparciais" podem não ser o melhor caminho. Como para isso não vejo muita perspectiva de mudança, acredito que a saída seja nós sermos cada vez mais firmes em nossos propósitos morais, religiosos e éticos, para não corrermos o perigo de cair no vale-tudo para o qual o mundo se encaminha.
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