Economia e Vida

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia hoje (Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma), numa proposta ecumênica com outras denominações cristãs, a Campanha da Fraternidade 2010, que aborda um tema bem delicado: "Economia e Vida – Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24)". O assunto é complicado porque até hoje nenhum sistema econômico conseguiu dar vida digna a todos os seus participantes.
 
Posso fazer um breve resgate histórico, se for do gosto do freguês. Olhemos para a Antiguidade: as primeiras economias agrárias de Egito e Mesopotâmia; as economias de compra-e-venda de mercadorias de povos navegantes como fenícios e gregos; a política de guerra, escravidão, conquista e exploração dos romanos; passando pela microeconomia feudal; todas estas, mais do que uma classe de explorados (como dizia o velho e incompleto Marx) gerou uma miséria endêmica de vida que infiltrava as diversas classes sociais.
 
Já na modernidade, lembram-se do mercantilismo do século XVI? Toda aquela corrida por metais preciosos, grandes navegações, etc. O melhor exemplo dessa época é Portugal, que acumulou tantos bens e acabou com uma Corte falida tempos depois. Após isso iniciou um pré-capitalismo, que foi se afigurando cada vez mais liberal, até o que temos hoje. Nesse meio-tempo, podemos abrir um parênteses para os socialismos e comunismos que ainda vemos atualmente por aí e que – definitivamente – colaboraram ainda mais para a miséria (financeira, moral e cultural) dos povos que ficaram sob sua tutela.
 
Arrisco, então, a concluir que o sistema econômico que mais trouxe vida para as pessoas foi o próprio capitalismo, afinal, temos no mundo hoje vários países que são exemplo de dignidade humana, onde pobres são raridade e todas as necessidades básicas são supridas. Existe apenas uma questão: este capitalismo liberal cobrou um caro preço por esta vida digna em alguns países: a miséria generalizada em tantos outros. O que faltou ao capitalismo? Talvez um mínimo de solidariedade.
 
Solidariedade talvez não seja exatamente o que a Igreja esteja propondo nesta Campanha da Fraternidade, mas se aqueles que fazem o dinheiro pensassem um pouco menos apenas em fazê-lo, e um pouco mais naqueles para os quais ele é feito, muita coisa mudaria. E não pensemos que esta solidariedade deve ser promovida pela participação do Estado na economia, já que ele cobra um preço altíssimo para fazer esse papel: o preço de se sustentar. Mas ela (a solidadariedade, que pode ser incluída como um dos frutos do Amor) deve fazer-se presente em todos aqueles que exercem algum papel nessa economia que vivemos hoje. E isto inclui a todos nós, membros vivos e ativos do sistema econômico.
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