Somos timoneiros de nossas vidas?

Um texto muito bom escrito por Marcelho Coelho, colunista da Folha, vem no caderno Ilustrada desse jornal. O assunto é a felicidade das pessoas, que se refletem na maneira como elas encaram a vida: algumas sempre de bom humor, sorrindo, cantando; outras sempre com maldade, reclamando, praguejando. Por que umas são assim e outras são "assado"? É um questionamento fundamental, pois muda – literalmente – a vida dos indivíduos.
 
O articulista dá duas hipóteses para as pessoas serem assim (e esse é o mote do artigo). No primeiro caso, mais antigo, entra a teoria da predestinação, que, se não foi criada, foi inflada pelo reformador protestante João Calvino. Saindo do meio histórico-científico, eu consigo ver essa ideia presente no cotidiano das pessoas como a questão da "sorte": alguns nasceram com ela e usufruem de todos os bens da vida; os que não a tem, vivem de sofrimento. Não custa lembrar que vale todos os tipos de artifícios para atrair a dita-cuja: badulaques, rituais, obsessões, etc.
 
A segunda hipótese combina mais com a modernidade: é a que Coelho chama de "deus-DNA". As pessoas acham que o modo de ser de cada um é ditado pela herança genética que ele teve de seus pais. E isso também é muito comum: ouço direto por aí "fulano puxou a mãe/o pai", tanto para coisas boas ou ruins. E nesse aspecto também critico: para quem tem um mínimo conhecimento de genética é fácil perceber que nem tudo pode vir escrito no DNA.
 
Complementando essas duas teorias, eu insiro a minha ideia, que vem da minha cabeça e da minha fé: as pessoas são e se comportam de determinada maneira pelo que elas percebem de suas vidas, pelo que aguardam e anseiam do futuro. E, principalmente, esses "estados-de-espírito" são mutáveis (isto não estava presente em nenhuma das teorias do texto). Não aquelas mudanças de um dia para o outro, mas mudanças profundas que podem trazer as pessoas da tristeza para a alegria, das trevas para a luz, da descrença para a esperança.
 
Percebo nessas ideias que as pessoas tentam sempre passar a responsabilidade de seus atos para terceiros. Se coisas boas ou ruins acontecem, nunca são méritos próprios: ou são lances de sorte, ou algo que já estava escrito (no DNA, no caso). Devemos acreditar mais em nossas próprias mãos. Mesmo acreditando que não somos capazes de limpar toda nossa falha, temos a arma que nos restava: Alguém que fez isso por nós. Citando a música "Gueto do Universo", da banda de reggae "Planta e Raiz", devemos sempre ter "força pra lutar" e "fé para vencer".
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