Quem é minoria?

O nome desse blog é "’Cerebrando’ o Cotidiano" porque meu grande desejo é que as pessoas pudessem celebrar mais os fatos do dia-a-dia (vivê-los verdadeiramente), mas de maneira racional e ordenada, ou seja, com o cérebro. Defendo que se fizessem isso, o mundo seria um tiquinho melhor. Mas existem alguns assuntos que quanto mais as pessoas "cerebram", mas chegam a conclusões erradas. É o que na lógica chama-se falácia: quando toda a estrutura lógica da argumentação está correta, só que é baseada em premissas falsas.
 
Um desses assuntos é a questão das minorias, que realmente me intriga. Minha autoridade pra falar sobre isso? Nenhuma. Tenho um amigo que é mestre em direito no tal assunto, e hoje me aventurarei a rebater um artigo de um juiz federal. Não me interessa se tenho menos conhecimento que eles, até porque não desejo ser base bibliográfica para ninguém. Venho apenas com minha maleta de ideias na cabeça.
 
O tal juiz se chama Marcus Correia, tem 45 anos, é doutor, dá aula na USP e escreveu um artigo hoje na Folha falando principalmente sobre as cotas afirmativas que abrem vagas para negros nas universidades. Dr. Marcos critica o "positivismo" com o qual algumas pessoas observam e analisam essa delonga, que chegará já já ao STF. Pra quem não sabe, o positivismo chegou nas ciências sociais com pensadores como Saint-Simon e Durkheim, e propõe que seja usado o rigor das ciências da natureza na análise social.
 
Também não concordo que uma coisa sirva de parâmetro para a outra, mas dizer que fenômenos sociais não podem ser explicados ou amparados numa ciência exata (como a biologia) já é negar fatos; afinal, somos seres biologicamente construídos. Temos, sim, uma estrutura social única, mas que só existe pois biologicamente temos algumas vantagens em relação aos outros animaizinhos.
 
No entanto, o doutor juiz diz que a definição biológica de raça – está já provado que na nossa espécie não existe essa divisão –  não deve ser levada em consideração no caso de definir as "raças" humanas. Com efeito, já está provado que todos somos iguais biologicamente, temos a mesma capacidade intelectual: o que muda é a cor da pele. Portanto não há argumento racional – ao contrário do que diz o juiz – para dar vaga a um negro numa universidade, apenas pela cor de sua pele, apenas por sua aparência. As cotas para escola pública até têm fundamento, se aceitarmos que remediar é melhor que prevenir, mas fazer distinção pela aparência é inaceitável até no que se trata de direitos humanos.
 
Por fim, Dr. Marcus conta aquela história da dívida eterna que temos por termos feito mal a abolição da escravatura. Mas gostaria de perguntá-lo (ou a qualquer outro especialista no assunto) como fica a minha situação: tenho uma avó (e por conseguinte, bisavós) negros, de antepassados escravos. Minha avó casou-se com um descendente de portugueses, cujos bisavós tinham fazenda, com escravos, e fizeram a tal abolição mal-sucedida. Tenho direito a quê? A pagar pelos erros portugueses ou cobrar a dívida que os negros deveriam cobrar? E garanto que tem muita gente assim no nosso país.
 
É óbvio que sou expressamente contra qualquer tipo de preconceito, qualquer tipo de referência pejorativa – por mínima e engraçadinha que seja – a determinada pessoa por sua aparência ou escolhas que fez na vida. Mas o preconceito não mostra uma cultura intrínseca da sociedade; mostra, sim, a estupidez de uma faixa da população. Ser preconceituoso não é ser normal, é ser burro. Portanto, onde há preconceito, defendo políticas veementes contra essa prática; mas que passam pela educação moral dessas pessoas privadas de desenvolvimento intelectual, e não por políticas afirmativas.
 
Obs.: o que escrevo para o "racismo", vale para o "feminismo", o "homofobismo", o "católico-fobismo", o "zoofobismo", e etecétera.
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