Amizades virtuais, amizades irreais?

Mais uma vez vou me arriscar àquela tarefa ingrata: criticar a tecnologia, a computação, a internet, etc. Afinal, é mais gostoso criticar aqueles que ninguém ousa fazer. Só que desta vez vou me ater a um efeito que está muito visível a cada dia que passa, principalmente na juventude, mas que eu ainda não havia atentado por completo: como a internet mudou os padrões de relacionamento; e principalmente, como os estragou.
 
Novamente tenho que concordar com Danuza Leão e sua coluna de hoje na Folha, apesar de ela exagerar, como sempre, no radicalismo sentimentalista; talvez seja meu excesso de racionalismo que impede de me aproximar mais dela. A colunista se mostra, no texto, totalmente aversa às tecnologias, dizendo que só tem um celular quase inativo, não tem mais carro e está sofrendo por ter ganhado um iPhone de presente. Não acho que o caminho seja por aí.
 
Mas o fato é que novos tipos de relacionamento se deram na internet, principalmente de duas formas: mensagens instantâneas e redes sociais; mais conhecidos como o dueto MSN e orkut. Misturando um personalismo extremo na forma de se comunicar (cada um é livre para adaptar nossa língua às suas necessidades), a mensagem em si se torna totalmente fria e imparcial. Se engana quem pensa que o velho e-mail trazia mais a ideia de "ofício", aqueles de órgãos públicos. Apesar dos "h" e "rs" sobrando, os scraps e mensagens curtas transmitem bem menos sentimentos.
 
Dessa forma, já era um evento conhecido que as pessoas preferissem se comunicar por estes meios, já que (vou recorrer a uma frase feita, com licença) não precisam "dar a cara a tapa" na conversa. Então da amizade via internet passou a surgir os NoIP (Namoro over IP) e até – por que não? – os CoIP (Casamento over IP). Afinal, todo mundo é mais bonito quando se está "online" e quando a única face que vejo da amada é a foto do orkut ou do Facebook.
 
Qual é a novidade, então? É a proclamada, esperada e famigerada Terceira Geração de tecnologias para celular, o chamado 3G. Com ele, os ditos "smartphones" (que a cada passo que dão rumo a maior inteligência, deixam os donos em maior ignorância) ficam conectados 24h ao ambiente da internet. Portanto – acompanhe a linha de raciocínio – qualquer lugar é lugar para acessar seu MSN e seu orkut! "Maravilhoso", clamam as operadoras de telefonia.
 
Tudo muito bonito, não fosse o fato de as pessoas terem aderido à mania feia de viajar pelo cyber-espaço enquanto está com gente de carne e osso em sua frente, como num jantar, por exemplo. É o que mostra outra boa reportagem do caderno Cotidiano da Folha de hoje. O rapaz relata que fica "cada um em seu mundinho", preferindo uma apática conversa de monossílabos do que um caloroso papo regado a um bom vinho.
 
Por isso, pessoal, cuidado: ao nos percebermos fazendo algo nesse sentido, é melhor fazer como a Danuza: jogar tudo pela janela. Pelo menos para a sopa não esfriar no prato, junto com as verdadeiras amizades.
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