Não vos prostituais

"A melhor maneira de ser livre é não se prostituir (mesmo que não por dinheiro) à classe masculina, como muitas ainda gostam de fazer." Escrevi esta frase no texto de anteontem, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Ela define uma questão que há muito venho pensando. Quando escrevi tal texto sobre as mulheres, prometi a mim mesmo que escreveria outro em explicação à essa questão, que pode parecer um tanto quanto machista.
 
Porém o próprio fato da questão parecer machista decorre dos costumes e crenças de valorização do masculino que nossa sociedade cultiva, inclusive em muitas mentes femininas por aí. Afinal, quando se fala de "prostituição" certamente virá a cabeça o que o Governo Federal e sua pérola ideológica, o PNDH-3, chama de "profissionais do sexo". Mas é óbvio que não é disso que estou falando.
 
Falo de um estado de espírito, de um anseio de vida, de uma maneira de existir que não acomete apenas o público feminino, muitíssimo pelo contrário. "Prostituir-se", no caso, está no segundo sentido que o dicionário Houaiss traz: "rebaixar-se moralmente; degradar-se, corromper-se; contrário de honrar-se". Eu me atrevo a completar: seria o ato de vender-se (nem sempre por dinheiro, reitero) a falsos objetivos, falsas verdades, ou como dizem na religião, a falsos deuses: a idolatria.
 
Do mesmo modo que a idolatria é o pior dos pecados no judaísmo e no cristianismo, essa prostituição é o que mais afasta as mulheres – e todas as outras "minorias" – de conseguir estabelecer seus direitos e cumprir seus deveres. E qual é a "moral" que muitas damas rebaixam quando se vendem? A sua moral, a sua "doxa", como diria Sócrates, sua verdade, seu valor. Dando-se como objeto nos relacionamentos que estabelece e satisfazendo-se em ser vista como algo mais externo que interno, a mulher perde totalmente o valor que tem: o valor de ser humano racional, amoroso e imperfeito.
 
Não sei se estas definições ficaram claras – ou se consegui piorar o que já estranho estava -, mas o conselho não é só para elas: existe duas coisas distintas, antagônicas: a honra e a venda dessa honra, a corrupção dela. Por isto que as prostitutas têm esse nome: pois vendem algo de mais valioso e delicado em nós: a sexualidade (a nova geração, que banaliza este aspecto cada dia mais, deve gargalhar uma hora dessas). Em vez de nos vendermos, doemo-nos. Quem se vende corre o risco de levar o calote; quem se doa não espera nada em troca e ainda preserva sua honra e sua postura de mulheres e homens íntegros.
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