Ficha suja e cara-de-pau

Primeiro fato: o Poder Legislativo brasileiro está muito mal-visto pela população; é isto que dizem as últimas pesquisas de opinião pública realizadas. Segundo fato: no último "Custe o Que Custar", da Bandeirantes, a repórter entrevistava o senador Mão Santa (PSC-PI), quando ele disse "eu sou a voz do povo. E você, quem é?". Existe aí algum tipo de paradoxo? Como um senador da República pode se achar tão representante do povo sendo que a própria população não aprova suas atitudes?

Talvez sejam estes os desvios presentes numa democracia representativa. Compra de votos, ignorância, falta de reflexão: todos esses velhos fatores parecem não mais explicar o que faz com que velhos "macacos" ainda estejam pendurados nos galhos do poder. Sinto que as pessoas votam por convicção mesmo, e não por falta de informação. Mas ainda assim, a convicção errada de alguns, não pode atrapalhar o futuro de toda uma nação. Pensando nisso, surgiu a iniciativa "Ficha Limpa": iniciativa POPULAR, capitaneada por entidades como a CNBB, para que se fizesse um projeto de lei que impedisse que políticos condenados na justiça pudessem concorrer.

Frisei o "popular" porque foram arrecadadas mais de 1,5 milhão de assinaturas para que ele fosse ao plenário. Pode até não ser uma grande parcela da população, mas é certamente maior do que os 14 mil que debateram e aprovaram o Decreto Socialista dos Direitos Humanos. A diferença é que este contava com a simpatia do Presidente, e foi decretado, imposto. O outro não conta com a simpatia de ninguém – muito menos dos parlamentares – e está lá, sendo carinhosamente (se é que me entendem) debatido nas entranhas da Câmara.

Resultado: depois de entrar ontem na pauta do Plenário, o projeto voltou à Comissão de Constituição e Justiça, ou seja, à estaca zero. Por que? Ora, não foi atingido o número mínimo de assinaturas para dar "urgência" a ele; traduzindo: os nossos parlamentares não acharam que o assunto era urgente, "fica pra outra eleição". Denuncia o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO): "Está em trânsito uma manobra para não votar o projeto
ficha limpa. Querem evitar a
urgência e com isso engavetá-lo".


A OAB também está no apoio ao projeto, e seu presidente disse o seguinte: "É um sentimento
enorme de frustração. Precisamos achar onde estão essas resistências". Doutor advogado, para encontrá-las é só ler um pouco mais acima da reportagem da Folha, de onde tiro esta sua fala. "Ontem, PSDB, DEM, PPS,
PDT, PSOL, PHS, PSC e PV assinaram o pedido de urgência, o
que somou o apoio de 188 deputados. Se fossem reunidas 257
assinaturas, o texto seria analisado direto no plenário, sem
precisar dar um passo para trás." Está aí quem queria que a proposta fosse, não está aí quem queria que ficasse. É necessário ser mais claro?


Eleitores: nas urnas deste ano as fichas continuarão sujas e as caras continuarão de pau.

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