A Igreja, a pedofilia, e agora: Richard Dawkins

Leitura obrigatória a qualquer um que vê em José Serra alguém melhor para comandar o país do que Dilma Rousseff é o colunista Reinaldo Azevedo. O link está aqui do lado. Ele inventou uma técnica para rebater textos mentirosos: o vermelho-e-azul; colocando o artigo original em vermelho, ele escreve em azul os erros e mentiras do trecho. Isso só pode ser feito com artigos ruins do início ao fim. Hoje eu encontrei um, que de tão falacioso me deu vontade de usar o sistema do Tio Rei. Mas não vou fazê-lo, por não ter autorização para publicar o texto; ficamos só no azul, a minha parte.
 
O artigo é de Bárbara Gancia, que escreve para o caderno Cotidiano, da Folha. O assunto? Aquele mesmo: a "crise" da Igreja, os casos de pedofilia. Não que ela tenha conhecimentos teológicos para abordar o tema, não que ela tenha algum posicionamento religioso, jurídico ou moral em relação ao caso: ela quer é defender os homossexuais do que foi dito pelo Cardeal Dom Tarcisio Bertone, que falou que a pedofilia está ligada à homossexualidade, e não ao celibato.
 
Tudo se inicia com uma grande falácia, aquela que fazem dos ditos populares verdades (o que qualquer um sabe que não é): ela diz que todo aquele que se mostra contrário ao homossexualismo, no fim é surpreendido como homossexual. E para comprovar isso são apresentados DOIS CASOS. É o velho método indutivo-dedutivo jogado no lixo. E para provar a mentira, é simples: a esmagadora maioria de meus amigos homens (heterossexuais) NÃO gosta de gays, e o motivo é óbvio. Será que em todos eles existe uma atração pelo mesmo sexo? Ela poderia usar outra frase de efeito: "todo homem guarda uma diva dentro de si", tão falada no último BBB. Aceitando isto como verdade absoluta, Bárbara quer mostrar que, sendo a Igreja contra o homossexualismo, toda ela está habitada por homens com este, digamos, "gosto".
 
O próximo problema reside na pergunta feita pela colunista: "os gays fizeram alguma coisa errada?". Ora, se eles abusaram sexualmente de crianças (não falo só dos padres) fizeram, sim. Como fizeram os heteros nesse aspecto. Mas TODOS os casos que vieram à tona nessa avalanche de ataques à Igreja traziam abusos a meninos. Isso é pedofilia, mas também é homossexualismo. Ou não? Há aí também conclusões erradas acerca da fala do Cardeal: ele disse que a maioria dos pedófilos são gays, mas não que a maioria dos gays são pedófilos. Talvez esse debate se inclua no maior tabu que paira hoje na nossa sociedade: a relação com os homossexuais. Tudo é preconceito. A homofobia é o novo racismo: está em todos os lugares. Por que eu sou obrigado a concordar com o movimento GLS? E, ademais, a Igreja deve – e continuará – condenando o homossexualismo: isto é bíblico. Agora, os homossexuais devem ser sempre respeitados e recebidos.
 
A colunista demonstra, linhas depois, um desconhecimento tremendo de qualquer razão doutrinária da Igreja, e proclama sem pestanejar: "como é que o Vaticano fala, ao mesmo tempo, em celibato e em ‘identidade sexual dos padres’?". Espere um pouco, estou tentando entender o que uma coisa tem a ver com a outra. Que eu saiba, homossexualismo realmente não é doença (como ela mesmo relembra anteriormente). É algo muito mais ligado com a personalidade da pessoa, pois seguramente o gay possui traços femininos em seu agir, interferindo até em suas habilidades profissionais (na maioria dos casos, pois devem existir gays engenheiros, como existem mulheres também). Não está simplesmente ligado ao ato sexual, é muito maior. Portanto, parece que minha compreensão (bem míope) do universo GLS é melhor que a dela, que os defende, não? Por isso prefiro usar a palavra "afeminado", mesmo que pareça feia e pejorativa. Homens podem ser "femininos", serem atraídos por outros homens (ou não) e, "ao mesmo tempo", optar pelo celibato. Onde está o problema? Aliás, ser celibatário não é jogar a sexualidade para debaixo do tapete, é consagrá-la.
 
E aí vem a conclusão, que não é para cardíacos: dois homens planejam denunciar o Papa como cúmplice nos casos de pedofilia quando ele for à Inglaterra, e parece-me que Bárbara concorda que isso seja justo. Não vou entrar nesse debate, mas friso uma coisa: quem quer prender Bento XVI? Quem? Ninguém menos que Richard Dawkins, o evangelizador mundial do ateísmo! Esses caras não descansam? O que eles querem? Depois de fazer publicidade dessa "evangelização" até em ônibus no Reino Unido, onde mais eles querem chegar? É um outro mundo que não consigo entender. Utilizo uma frase dita por João Pereira Coutinho numa entrevista que está disponível no YouTube: "eu não acredito em fadas, e não fico me esforçando para provar que elas não existem"; por que os ateus não fazem isso com Deus e com a Igreja?
 
Vendo como a coisa anda fluindo e descobrindo que até Dawkins está no meio da história, percebo cada vez mais como o mundo acredita que sem a presença da Igreja, tudo estaria melhor. Realmente, ela deve ser o problema de tudo: da pobreza, da fome, até a pedofilia, deve ter surgido dentro dela, não? Ou até mesmo a homossexualidade, talvez? Não disse Elton John que Cristo era gay? Pois as pessoas estão levando a sério. Rogai por nós, Santa Paciência.
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3 Comentários em “A Igreja, a pedofilia, e agora: Richard Dawkins”

  1. João Says:

    Primeiramente, é incontestável a solidariedade ao biólogo. Nada atenua a barbárie de se brutalizar e degradar uma pessoa, ainda mais em idade tão frágil e tenra como a infância. Desconheço quem dela não se repugne. Por isso, quando a burocracia eclesiástica de uma igreja cristã, por uma questão de conveniência ou corporativismo, releva ou acoberta a tara de um maníaco, são enxovalhados bem mais que os valores e os princípios cristãos. Aos olhos do mundo, o próprio nome de Deus é rebaixado à vileza de Seu pior inimigo – e por Seus próprios filhos! Assim, para início de conversa, cada uma das milhares de vítimas desse tipo de molestamento sexual, Dawkins entre elas, merece que TODO o clero da igreja que abrigou o pervertido (não importa se use terno, batina ou mitra) vista sacos de estopa, cubra a cabeça com cinzas e implore publicamente por perdão – literalmente de joelhos. Tanto à vítima quanto a Deus. Aí, sim, a cerimônia do lava-pés voltará a fazer sentido na liturgia dessas denominações.

  2. Vinícius Says:

    Olá, João. Legal você participar assim, digamos, "racionalmente", amigo. Concordo plenamente – e não há o que contestar – que a pedofilia é um ato repugnante. Se o Bispo acoberta um padre que comete esse tipo de abuso, está completamente errado; não sei se você entende de como a Igreja funciona, mas a primeira ordem é do Bispo Diocesano – nem todos os casos chegam à Congregação da Doutrina e da Fé. Na época em que Bento XVI foi prefeito desta congregação, muitos casos foram resolvidos, apesar da mídia focalizar em supostas omissões. Ah, outro ponto: o sentimento de obrigar a se "vestir de sacos de estopa e cobrir a cabeça com cinzas" é um costume judaico, que Cristo deixou de lado ao mostrar para nós a infinita misericórdia presente em sua Páscoa verdadeira e eterna (óbvio que isso é pra quem acredita). Desta forma, tenho certeza que se fôssemos levar ao pé-da-letra a baixeza de nossos pecados insistentemente diários, eu – e creio que todos nós – só usaria esse tipo de vestimenta. Quem manda no nosso mundo é a justiça, então esses padres merecem – e o papa afirmou isso em sua carta à Irlanda – pagar com as leis dos homens. Mas a lei maior de Deus é o perdão, e essa é a maior beleza do cristianismo. Beleza que iludidos como Dawkins não conseguem perceber. Espero ter ajudado, meu irmão. Grande abraço.

  3. João Says:

    Olá, Vinícius! Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. (Carl Sagan) Grande abraço.


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