A MTV e nós, os jovens do século XXI

A juventude é realmente uma idade complicada: é quando a energia para criar e fazer ainda não foi gasta, e em compensação o cérebro já tem capacidade de ter muitas ideias boas, principalmente de almejar utopias, talvez também porque ainda não surgiu o fatalismo/realismo da idade adulta. Na história do mundo a coisa se deu da mesma forma: os jovens sempre foram a força-motriz de muitos atos importantes, ao mesmo tempo que fizeram muita besteira e gastaram muito tempo com bobagens, como as drogas.
 
Depois de vários anos de espera, eu cheguei à minha juventude. Sempre escutei de várias pessoas mais velhas de que nossa geração seria diferente; hoje confirmo que realmente carregamos uma carga de ineditismo fantástica e triste ao mesmo tempo. Somos a primeira geração pós-moderna, pós-Guerra Fria, pós-Terceira Revolução Industrial. Ou seja: achamos que chegamos na melhor época do mundo, que não temos mais por quem lutar, e que podemos viajar o mundo sem sair de casa e sem pegar um avião, respectivamente.
 
E esse jovem de hoje, pacifista (pra não dizer acomodado) e tecnológico (pra não dizer analfabeto funcional) teoricamente tem sua voz na televisão: a MTV Brasil (Music Television Brasil) se coloca como imagem dessa juventude, definindo diretamente esta faixa etária como público-alvo. E o que pode-se perceber com isso? Que os comunicadores do canal são realmente muito eficientes, já que conseguem trazer ao ar exatamente o que a rapaziada quer ver: algo raso, pra resumir; raso no jornalismo, no humor e até na música. Um jeito "Lady Gaga" de existir, pode-se dizer.
 
Tudo muito colorido, tudo muito liberal; um falso engajamento em grandes projetos, mostrando-se preocupados com o futuro do planeta, mas uma falta gritante de reflexão quanto à própria vida; um sentimento de prepotência e arrogância. Estas são algumas características tanto do canal, quanto dos meus colegas de idade. Ontem o programa Debate MTV, apresentado por Lobão, tratava de debater a "crise da Igreja". Foram chamados – pela primeira vez na história do programa – duas pessoas altamente gabaritadas para falar do assunto: o colunista Reinaldo Azevedo e o padre Reginaldo Manzotti. O que pareceu? Que era muito conteúdo pra pouco programa. Faltou neurônios pra muita sinapse. Talvez seja o mesmo déficit que acomete a nós hoje em dia. Sai Kant, entra Frezno. E assim desenhamos nosso futuro.
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