O lado esquerdo do mundo continua vivo

O repórter Sérgio Rangel, da Folha, foi escalado para uma tarefa ingrata, mas um deleite para quem escolheu uma carreira aventureira como a reportagem: ver com os próprios olhos a Coreia do Norte, país do leste asiático, que desde o fim da Segunda Guerra vive sob um regime comunista hereditário. Ele desembarcou no aeroporto de Pyongyang, a capital, e percorreu por terra o caminho até a conflituosa fronteira com a vizinha do sul, com a qual o Partido Comunista continua em guerra; porém num estado de cessar-fogo.
 
Pelos relatos do jornalista, fica claro que ele não ficou muito contente com o que viu. No título da narrativa, diz que "viajar pelo país é como voltar no tempo". Estranho, afinal Marx dizia que o comunismo era o avanço natural da humanidade. É que talvez nossa noção de "modernidade" que esteja errada: democracia, para os líderes norte-coreanos, deve ser algo lá da Grécia Antiga; liberdade de expressão coisa de anarquistas franceses do século XIX; iniciativa privada, então, não deveria ter saído das primeiras iniciativas no Renascimento Comercial do século XI.
 
O povo acorda e dorme com um sistema de auto-falantes que ainda toca as músicas da "revolução" da década de 40; em todos os cantos, a publicidade é oficial, tão ostensiva quanto a nossa privada aqui; são só três canais de televisão no ar, todos do governo, que só passam programas sobre a história dos governantes. Governante esse, Kim Il-Sung (1912-1994), que é adorado como um deus, num país ateu como todos os comunistas. Suas estátuas e retratos estão sob todas as partes, e o povo acredita que ele tenha dado condições dignas de vida para todos e, melhor, não se "submetendo aos EUA"!
 
Sei bem que nosso capitalismo não é um exemplo de igualdade, sei que causa sofrimento em grande parcela da população. Mas ainda me rejubilo de viver num país capitalista democrático pois sei que a outra hipótese já aplicada – o social-comunismo – é uma furada, e gera mais pobreza do que nosso padrão, piorada pela repressão em que a população é submetida.
 
O regime que Dilma Rousseff lutou para estabelecer (de acordo com o que ela mesmo disse ao Datena anteontem) só causa miséria e ilusão por onde passa: segregando mais do que o liberalismo, perseguindo mais que as ditaduras "direitistas" e encarceirando intelectualmente seus habitantes mais do que porventura se tenha feito na Idade Média. E agora os empresários brasileiros estão embarcando na Coreia que,  como todas essas ditaduras comunistas, resolveram "abrir sua economia". É, Karl, acho que o rumo da história não desembocará por onde você pensou que fosse.
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