“A fornicação resolve tudo”, diria Temporão

A gente que tem um perfil mais conservador (os esquerdistas chamam de "retrógrado") se esforça para não parecer chato, inconveniente, estraga-prazeres; mas os que estão do lado de lá apelam para que nós nos manifestemos, tomando atitudes e proclamando pérolas que não podem ser frutos do improviso – de tão retumbantes, só podem ser originárias de muito planejamento. Como ambos os lados têm sua função no "organismo social", me sinto no direito de comentar as coisas que acontecem nesse sentido.
 
Pois desta vez nem foi o patrão que falou, e sim um funcionário do primeiro escalão: o ministro da Saúde (um dos que mais precisam trabalhar no Brasil), recomendou que as pessoas devem fazer sexo para evitar a pressão arterial. A receita completa para evitar a pressão alta, de acordo com o ministro, é dançar, fazer sexo, manter o peso, fazer atividades físicas e, inclusive, medir a pressão. Um médico entrevistado pela Folha endossou: "Toda atividade prazerosa tem valor no combate à hipertensão". Está armado o circo. Certamente que toda "atividade prazerosa" deva ser importante, mas será que se compara aos cuidados como atividades físicas (aquelas contínuas e comprovadas), alimentação balanceada e, principalmente, tomar remédios?
 
Talvez o ministro tenha se assustado com o dado da pesquisa (a mesma que apontou que 21,5% dos brasileiros são hipertensos) que disse que 23% dos entrevistados não haviam tido relações sexuais nos últimos tempos; talvez seja algo inadmissível em sua cultura, mas não na de milhões e milhões de pessoas. Ele deve fazer parte daqueles que afirmam que o homem tem isso na cabeça o tempo todo, o que inclui o presidente, suas metáforas cheias de conotações sexuais e seus relatos acerca de sua intimidade com a esposa.
 
Duas coisas: realmente não acredito que isso seja recomendação que deva ser feita por um governante, um homem que manda num setor tão defasado do nosso país. Enquanto Serra criou, em sua época, os remédios genéricos, Temporão distribuiu trilhões de camisinhas e solta brados de incentivo ao rala-e-rola. Outra coisa: creio que na nossa sociedade atual, mandar fazer sexo seja uma ordem desnecessária e inútil. A televisão e a internet (grandes causas do sedentarismo atual) já expressam essa ordem frequentemente. Se a população estivesse hipertensa por ficar dentro de casa a ler os grandes clássicos da literatura nacional, ou por passar tempo demais no banco da escola, aí poderia até dar razão à sua fala indecorosa.
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