As crianças e seus destinos

A educação das crianças é a arte mais intangível que existe para um homem executar; deve ser também a arte mais democrática, pois – existindo ou não vocação para isso – todas as pessoas desempenham este papel, com seus filhos ou os dos outros. Sempre digo que educar filhos é construir caráteres, como se constroem muros: tijolo por tijolo. Cada dia que passa, cada mensagem que o pequeno ser capta no ar, nas entrelinhas, nos olhos dos pais, nas atitudes de quem está a sua volta: tudo vai levantando o que um dia será um ser humano formado.
 
Há de se lembrar também que – como todo processo humano – nunca se pode chegar à perfeição, apesar do que pregam os livros de auto-ajuda que exclamam ter a fórmula para a perfeita educação dos pimpolhos. Ela – se existe – não pode ser alcançada pelo simples fato dos pais não terem sido perfeitamente construídos. São exatamente os defeitos adquiridos pelos pais em seu processo de crescimento que fazer com que eles hajam de determinada maneira com os filhos. É uma fórmula simplista, mas cito um exemplo que percebo na maioria dos casos: pais permissivos, filhos tranquilos; pais repressores, filhos desgringolados.
 
Eu não sei muito bem qual é o sentimento, mas imagino que ter um filho com sua cara, carne da sua carne, saído do seu ventre (no caso das mulheres), deva ser algo inacreditável. E o amor que se sinta por esse ser deva ser o maior possível. Se existem pais que negligenciam o amor pelos filhos, mesmo sendo eles frutos de seu sangue, imagino como deva ser para aquelas crianças que não tem os pais ao seu lado; que vivem com pais adotivos (não adianta espernear, não é a mesma coisa), com outros familiares ou em abrigos. A pilastra de sustentação não está podre, está é arrancada.
 
Por isso devemos defender a vida, por isso devemos cuidar de nossas saúdes para dar o suporte necessário para os filhos enquanto eles precisarem (ou seja, a vida toda). Para saírmos da mediocridade na criação das criaturinhas – e isso está ligado a todo o resto dos problemas do mundo – devemos sair da própria mediocridade de nossa existência, de nossa capacidade de amar. Afinal, a única receita para que a criança cresça bem é ela receber uma boa dose de amor diariamente. Aquele amor verdadeiro, que sabe punir e privar – não um amor-babão de pais velhotes, tão comuns atualmente.
 
É por não querer nivelar por baixo que defendo que as crianças devam ter pais e mães – e que esses tenham estrutura psicológia e espiritual para dar o amor que elas precisam para se tornarem adultos que também amarão seus filhos. É por não querer nivelar por baixo que acredito que crianças não devam ser deixadas para outros quando têm pais; quando não os tem, deva ser criado por aquelas pessoas que mais próximas delas estavam, que podem tentar "copiar" o que eles iriam dar, suas características. Os fatos socio-econômicos não conseguem encobrir a força da genética.
 
É por não querer nivelar por baixo que eu não apoio a liberação para casais gays adotarem crianças, porque eles nunca conseguirão amá-las como pais biológicos, devido aos próprios problemas que tiveram por ter essa orientação sexual, que é muito difícil e doloroso (e não adianta espernearem também). Quando a heteronormatividade acabar no mundo, e não forem necessários um homem e uma mulher para gerar outro ser humano, eu volto ao assunto; por enquanto, fica como está: filhos com seus pais, sendo eles um casal de homem e mulher.
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