A sociedade é pedófila e incentiva a pedofilia

"A sociedade atual é pedófila". Essa frase foi dita ontem pelo arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, que participa da 48ª Assembleia Geral da CNBB, que está acontecendo em Brasília este ano. É óbvio que este tipo de declaração – direta e sem rodeios – assusta muita gente por aí. Dessa forma, logo que os meios de comunicação arrepiaram os pelos das costas, outros bispos e a própria CNBB vieram a público dizer que esta era uma opinião particular do arcebispo. Eu concordo plenamente com Dom Dadeus, e tenho dois argumentos muito bons pra isso.
 
A sociedade atual passa um processo duplo, que faz brotar a pedofilia e a efebofilia (relacionamento com pré-adolescentes e adolescentes). Primeiro: estamos "adultizando" as crianças. Os pais – muitas vezes se dobrando ao chame publicitário – não querem ver seus filhos como crianças, mas sim como "homenzinhos" e "mocinhas". Para eles, isto signigica ter acesso demasiado a culturas masculinas como futebol e bebidas. Para elas, o convívio cada vez mais precoce com a sensualidade, que já se faz presente no vestuário das lojas infantis, com botas, blusinhas curtas, óculos de sol e até piercings.  Para ambos, fica a infância como uma fase da vida que cada vez mais esquecida.
 
Na outra ponta da tabela, temos uma "juvenização" da terceira e da meia-idade. Ninguém quer ser velho e assumir as responsabilidades de ancião, tão importantes para a estabilidade das famílias e da sociedade em si. Muitos, quando chegam aos 50, estão recorrendo a plásticas, roupas e modos de vida dos jovens, inclusive no que tange a sexualidade; perdi a conta de quantas vezes já ouvi as tais "sexólogas" incentivando quem tem mais de 70 anos a voltar à vida sexual. Até o Ministro da Saúde fez isso. Se a terceira-idade conseguia se desprender dessa visão sexualizada e freudiana do mundo, já não consegue mais.
 
Qual o resultado desses dois fatores, que acontecem concomitantemente? Ora, se as crianças estão cada vez tendo relacionamentos amorosos mais cedo, e os velhotes (e velhotas) achando que podem se relacionar livremente com a juventude (da qual creêm fazer parte), há livre terreno para uma efebofilia e até pedofilia. Se isso é condenável (o que concordo que é), devemos condenar o ímpeto de toda uma corrente de pensamento que faz com que isso aconteça (vide fala do Ministro Temporão). Ou então vamos ter de mudar a lei da pedofilia, tratando como criminoso apenas quem tiver relacionamentos com pessoas de dez anos ou menos.
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