A grande teia de relações

Estudando para uma prova ontem, recapitulava eu o conteúdo acerca das grandes maneiras de se enxergar o mundo que já foram construídas na história das ciências humanas, a começar pelo controverso Positivismo de Auguste Comte, que achava que o mundo estava indo para o rumo certo, e que os comportamentos humanos poderiam ser avaliados como os fatos da natureza. Mas foi em outro ponto em que parei pra pensar: a teoria estruturalista, defendida nas últimas décadas por Claude Lévi-Strauss. Essa tese defende a ligação que existe entre todos os fatos sociais: não se altera um fenômeno sem mecher na grande estrutura.
 
Essa ideologia defendida por Strauss foi fundamental para analisar as relações globalizadas do mundo moderno, e que transformou-o numa autoridade nesse assunto. Afinal, nada mais estruturalista do que o mercado global, não? Basta dar uma espiada no que está acontecendo atualmente no mundo mercantil: a Grécia está na pior, cheia de dívidas praticamente insolúveis por suas próprias pernas. Um pequeno país como o dos helenos pode causar tantos temores em seus parceiros de União Europeia e até no Brasil, que teme que seu crescimento não seja tão promissor por causa dessa crise de Zeus? Pode sim, e o estruturalismo explica.
 
Mas por muitas décadas os pesquisadores não pensavam assim. As mentes pensantes (que nos tempos idos só existiam da linha do Equador para cima) não percebiam como suas atitudes poderiam refletir no futuro da economia do mundo. E isso foi fator fundamental para termos a divisão de pobreza entre Norte-Sul que vemos hoje. Basta lembrar a colonização do Brasil, ou o extrativismo na África, ou o Imperialismo na Ásia. Precisou uma "guerra mundial" para os nobres europeus sentirem a desgraça batendo na porta deles; ela, que já de tão amiga dos povos do sul, senta-se à mesa para tomar café da tarde.
 
Mas algo ainda falta para ser entendido, e não há internet ou telecomunicação que possa convencer os nossos irmãos, ricos e pobres, disso: o estruturalismo social completo. Um protótipo já surgiu na questão ambiental: tudo o que eles fazem lá (o que inclui jogar poluição no ar, no mar e no lar) reflete em nossas medíocres vidas aqui. Da mesma forma se dá na questão social, cultural e espiritual. O mundo está ligado numa grande teia de relações, que vai muito (mas muito) além das questões econômicas. Se as medidas erradas do governo grego abalam o Brasil, e se o papel de bala que o americano joga no chão provoca o desmatamento da nossa Amazônia, certamente um abraço verdadeiro que damos aqui altera bastante a vida dos que estão do lado de lá.
Anúncios
Explore posts in the same categories: Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: