Qual dos “brasis” queremos escalar?

2010, um ano crucial: Copa do Mundo e Eleições Presidenciais. Tudo bem, a frase é risível. Mas por que ela é engraçada? O que não é tão "crucial": a Copa ou as Eleições? Tenho até medo de fazer esse tipo de pergunta, pois tendo a acreditar que a multidão responderia: "é óbvio que esse negócio de eleições é bobagem. Queremos saber por que o Ganso não foi convocado pelo Dunga!" Basta observar as movimentações dos "pré"-candidatos: ao pé dos palanques, somente aquele cordão de contratados balançando bandeiras. Agora, imagino qual tenha sido a audiência dos canais de TV que transmitiram a lista de convocados antiontem.
 
Ao assistir a entrevista coletiva do técnico Dunga depois da divulgação da lista, foquei numa frase dita por ele: "esta entrevista busca esclarecer as dúvidas do povo brasileiro em relação aos convocados". Pensei no porquê do tal "povo brasileiro" ter tanto interesse em algo que ele – definitivamente – não participa. Afinal, você votou para eleger Ricardo Teixeira presidente da CBF? Ou foi questionado sobre quem deveria ser o técnico? Mais: alguém opinou (além de Dunga) sobre quem deveria viajar para a África do Sul para disputar o Mundial? Não! Ali há uma empresa particular, que usa o nome do Brasil e a "voz do povo" para engrossar o caldo; esta que, efetivamente, é muda.
 
O oposto se dá na política. As eleições são em outubro, e não elegerão somente o Presidente da República (cargo um tanto quanto despótico), mas nossos verdadeiros representantes: membros da Câmara e do Senado, além da Câmara Estadual. Muitos estão indefinidos sobre quem votar, Dilma ou Serra, mas será que alguém já pensou em quem vai votar pra deputado? E pra senador? E nessa "escalação", sim, estão pedindo nossa opinião: são oitenta e poucos homens que decidirão nossos destinos nos próximos oito anos; muitos já definiram que irão votar nulo.
 
Lembro-me muito bem da última Copa do Mundo, o grande circo que foi. Jogadores fazendo festa nos bastidores, com embaixadinhas e muita batucada. Na hora da partida, "amarelaram", com o perdão do trocadilho com a cor da camisa da Seleção. Muitos ficaram indignados, com razão: disseram que nunca mais iriam ver o Brasil jogar. Mas agora estão aí de novo: comprando camisa, decorando a casa, providenciando a tabela e clamando por Neymar. E no Congresso? Também frequentemente ficamos irritados com a festa que fazem nossos eleitos; mas quatro anos depois temos a chance de convocar outros, pra ver se dessa vez a coisa muda. Por que não reacender a esperança também nessa questão, mais vital e importante do que o futebol? O momento é esse.
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