E a ciência, o que é?

Existem dois tipos de coisas no mundo: as coisas e o homem. A frase soa estranha, mas tem uma bela veracidade: afinal, do que valeria existir toda a natureza e seus processos se não fosse o homem para adminirá-la? Ou alguém aí já viu um cachorro admirando um por-do-sol? Eu, nunca. E o que diferencia os homens do resto das coisas? Não é sua capacidade de alterar o meio onde vive, como alguns afirmam. Nesse quesito o homem, na verdade, é fraco demais. A gente nem é capaz de produzir mel do pólen, como as abelhas. Precisamos sempre de instrumentos.
 
O que diferencia o homem do resto do universo, é, sim, sua capacidade de compreender a situação e sua própria condição. Os biólogos explicam isto com a sub-espécie Homo sapiens sapiens, que seríamos nós. Aquele que sabe que sabe; saber os outros animais sabem também. Concluindo o raciocínio com uma palavra: o que faz do homem o que ele é é a sua consciência. Consciência de que vive, de que o tempo passa, de que a vida acaba; o que gera uma necessidade de registrar uma história, de compartilhar os acontecimentos, de fazer amigos.
 
Surge, então, o grande impasse da existência humana: a grande particularidade do homem é sua consciência, mas ele obedece às mesmas regras do resto das "coisas": ele segue seu estômago. Tudo que ele fez, no que chamamos de ciência, foi para suprir as necessidades físicas. Mapeou o tempo, as estrelas, as marés, as espécies, os solos, as máquinas. Tudo o que nós chamaremos aqui de "tangível" (essa palavra não sai da minha cabeça ultimamente). Sua própria fome é tangível: precisa de 2.500 quilocalorias para suprir seus anseios por comida.
 
Mas o que continua definindo o homem é seu aspecto intangível: sua consciência. É mesmo um baita paradoxo. Voltemos ao assunto: o homem estava lá, manipulando e analisando a natureza toda pra adequar tudo ao seu apetite de 2.500kcal/cabeça. Até que chegou um momento em que tudo estava mapeado; o necessário já se sabia para viver bem. Mas aí, ofegantes, os homens olharam em volta e viram que muitos problemas continuavam. A fome foi resolvida, mas não a distribuição de alimentos, nem a gula, nem a angústia. Resolveram então partir pro estudo do intangível.
 
Surgiram aí as chamadas ciências sociais, ou humanas. Seu objetivo? "Tangir o intangível". Prova disso são os primeiros teóricos da área: os positivistas, para quem tudo era possível de ser estudado pela "ciência", "cientificamente". Até nos estudos de comunicação, os primeiros a estudarem eram matemáticos, biólogos, físicos. Mas aí, com o passar do tempo, percebeu-se que isto era impossível; que "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa". Atualmente, falar de positivismo nos meios socio-científicos, só se for pra fazer chacota.
 
Mas eles, os cientistas com "c" maiúsculo, continuam aí, tangendo o tangível, e intrigados que as coisas não se resolvem, esbravejando aos "intangíveis" por causa de sua ineficiência. No mundo científico, criou-se duas religiões: os cientistas da natureza e os cientistas sociais; estes considerados por aqueles como um segundo escalão. Os primeiros, continuam sistematizando o que é sistematizável, calculando o que já foi calculado, num ciclo que não leva ninguém a lugar nenhum. Os segundos, na sua falta de exatidão, debatem e debatem ideias que poderiam levar o mundo ao melhor, não fosse seu complexo de inferioridade.
 
Infelizmente (para os cientistas), certas pessoas nasceram para o intangível, gostam dele e se apaixonaram por ele. Por isso clamo: é a hora do movimento anti-científico! Viva o intangível! Viva o incerto! Viva o que não se pode generalizar! Viva as religiões! Viva a filosofia! Viva as ciências humanas! Para o bem da humanidade.
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