Um dia para se temer

Atenção: hoje pode ser o primeiro dia de um período complicado para nosso país. Muita gente não vai gostar de ler isso aqui; muita gente vai achar bobagem; outras tantas vão pensar que é exagero. Mas meu medo é verdadeiro, ainda mais olhando para trás e tentando aprender com nosso passado. Ainda mais podendo olhar o presente como participante desta nova e inédita geração, que não traz consigo muita vontade de atuar politicamente na implementação de uma cidadania plena e real para os brasileiros.
 
Hoje o DataFolha, órgão de pesquisas de opinião da Folha da Manhã S/A, trouxe mais uma pesquisa de intenção de voto para Presidente da República, eleição que acontece em outubro próximo. Pela primeira vez a candidata do Partido dos Trabalhadores – a "situação" atual – Dilma Rousseff, aparece empatada com o candidato da oposição, José Serra. Na teoria, eles ainda são pré-candidatos. Na prática, o governo utiliza seus muitos mecanismos para fazer propaganda eleitoral clara e explícita há muito tempo.
 
Talvez este empate (praticamente uma virada) fosse esperado. Certamente, há muita água a passar por debaixo da ponte, com o perdão da frase-feita. Mas hoje, com o poderio publicitário e assistencialista que o governo tem em mãos e a falta de articulação da oposição, começo a duvidar da capacidade do candidato oposicionista de levar a disputa. Hoje, acredito firmemente na necessidade de Aécio Neves ser vice na chapa do PSDB para conseguir força maior nos dois colégios eleitorais do país. Hoje, duvido da capacidade carismática de José Serra.
 
Por que todos estes temores surgiram no dia de hoje? Porque percebo as movimentações que surgem pelos bastidores. Porque sei que o último governo não foi do PT, e sim de Luís Inácio. Sei qual é o ímpeto que move o partido hoje em dia. Sei do que é capaz a sua "ala radical". Nos últimos anos, o atual governo criou três Conferências Nacionais – da Comunicação, da Cultura e da Educação, além do Plano de Direitos Humanos – que mostraram quais são as verdadeiras intenções dessas pessoas. O último, li na íntegra e me assustei. Tive pessoas próximas participando da Conferência de Cultura, e viram o jogo sujo de perto. Por meio delas, se inicia uma ditadura de opinião, nas áreas que dão a possibilidade das pessoas de se "instruírem" contra as correntes ferozes de pensamento.
 
Como no Brasil os direitos civis sempre foram considerados dispensáveis tendo em vista os sociais – como se um fosse independente do outro – muitos poderiam dizer que uma "ditadura de opinião" do Partido dos Trabalhadores – já em ação – não traria prejuízos para o país. Mas, como sempre, aqueles que não se aliam às fileiras da "situação" são perseguidos e discriminados. É isso que temo, e é isso que sei que irá acontecer se o partido vencer as eleições presidenciais. Por isso aviso: hoje pode ser o dia que será lembrado como marco inicial de um novo período, onde a nossa fraca e jovem democracia pode sofrer novamente sérios abalos. Só podemos evitar isto nas urnas.
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One Comment em “Um dia para se temer”

  1. Padre Sandro Rogerio Says:

    Admite-se algum ceticismo. Não sei se se deve aceitar pessimismo. Isso contagia tudo em derredor, paralisa, angustia… torna tudo nauseabundo. Embora tenhamos mirantes distintos para contemplar a situação, é sempre bom e oportuno "cerebrar". Continue sua tarefa sem receio de ser e de socializar o que é e pensa. Ah, não se esqueça de que isso pode lhe trazer alguma dor de cabeça, mas esta faz parte do processo "cerebrativo" das questões. PAX


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