Elas querem ter o direito de matar

Assunto na pauta atual das ONGs e entidades que "representam" a sociedade – estas sim, muito bem tidas dentro do governo, no Ministério da Saúde, chegando sua influência até na tal secretaria de Direitos Humanos – é o aborto. Resolveu-se (a frase fica sem sujeito, assim mesmo) que o tal "problema de saúde pública" deve ser resolvido: deve deixar de ser um tabu retrógrado para entrar na boca-do-povo. Acho engraçado que os "tabus-retrógrados", para deixarem de serem tais, têm de ser encarados de forma diferente; não adianta pensar e chegar à conclusão de que aquilo era o certo. Mas isso é tema pra outro texto.
 
Na crescente onda de manifestações que foram feitas (novamente o sujeito fica negligenciado), uma recente pesquisa de opinião pública surge para dar, digamos, critérios científicos à questão: uma em cada sete brasileiras já cometeram aborto. Só este dado bastaria para todas estas pessoas (não identificadas, mas que são – de alguma maneira – "formadores de opinião pública") já dizerem, como disseram: "viram só? Sua mãe, irmã e tia já abortaram". Quando é atestado ainda que a maioria das "abortadoras" são católicas, aí que o circo está armado.
 
Na via oposta, vindo na contra-mão da opinião pública e publicada, formada por não-sei-quem não-sei-onde, a Comissão da Câmara de Seguridade Social e Família aprovou uma lei chamada Estatuto do Nascituro. O que eles decidiram lá? Que o ser humano surge na concepção, quando o espermatozóide fecunda o óvulo. Mas olhe só: a ideia causa arrepios nas ONGs, associações e, por tabela, no próprio Ministério e seu ministro "smart", José Gomes Temporão. Mas não há argumento contra isso, e estou falando cientificamente, a língua entendida pelos surdos-mudos – e surdas-mudas – das universidades.
 
Como poderia ser diferente? A partir de quando poderíamos classificar que alguém é ser humano? Depois do nascimento? Depois de aprender a falar? Ou será que depois de andar? A ir por esse caminho, voltaríamos a Esparta, onde o recém-nascido era avaliado e se não aprovado, jogado penhasco abaixo. Quando não se tem argumento, chama-se quem não concorda de "reacionário", "ultrapassado". Mas até a ciência mostra que a Igreja está sempre a frente do tempo. Em nome de um egoísmo claro (afinal, nem sempre a saúde é que está em jogo), mata-se seres humanos muito bem vivos. Apesar da gritaria, aborto continua sendo – na frieza da ciência e no calor do amor – sinônimo de homicídio.
Anúncios
Explore posts in the same categories: Política, Religião

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: