Voto ou não voto, eis a questão

Lá na casa da minha avó, de dois em dois anos escuto a mesma ladainha: "Que raiva, preciso ir lá votar" ou "Se pudesse não teria tirado o título de eleitor". Talvez a matriarca da minha família não seja um exemplo a se considerar num embate político, mas ela não deixa de ser uma cidadã brasileira como todos nós; além disso, sempre acreditei que ela pudesse refletir a imagem de grande parcela da população brasileira, com suas ideias, convicções, gostos e vontades. Isto se confirmou ontem.
 
O DataFolha publicou uma pesquisa que mostra que o apoio ao voto obrigatório é de meio-a-meio na população do país. Levando-se em consideração que muita gente tem relações – familiares, profissionais e outras – com quem desempenha cargos eletivos, certamente, livre das influências pessoais, a maioria do povo seja contra a obrigatoriedade do voto. Outra conclusão que se pode tirar é que grande parte destes que criticam esta obrigatoriedade devem ser também contra o próprio ato de votar – o que seria lógico.
 
O que isto mostra? Que o país não perdeu muitos de seus costumes que surgiram ainda quando era uma grande pequena colônia portuguesa. Falta à população brasileira um rápido senso de coletividade; sempre se buscou o suprimento de suas necessidades individuais (renda, posses, progressos profissionais) em detrimento de realizações coletivas, que são – realmente – mais dificilmente vistas e medidas, a não ser nos frios números das pesquisas de opinião ou indicadores econômicos e sociais que não dizem nada à maioria da população.
 
Desta forma, o povo não querer votar não demonstra nenhuma inclinação a uma ditadura: simplesmente, a maioria dos brasileiros sempre pensou que se seus direitos sociais estavam sendo supridos, pouco importavam os civis e políticos. Já tivemos três regimes que suprimiram os últimos, elevando os primeiros (em graus diferentes) e conquistando grande parte do povo: Getúlio, os militares e Lula. Eu acredito – com alguns pensadores concordando comigo – que enquanto essa opinião em relação ao voto continuar assim, as coisas não vão ficar tão azuis quanto se prevê.
 
PS.: e dizer que não se envolver em política é direito das pessoas é uma baita asneira. Que vá morar em Marte este ser humano. Aí não precisará votar.
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