A síndrome da ovelha-sem-rebanho

Descobri, no início deste ano, um "pensador" de nossa época que foi me conquistando a cada coluna nova, toda terça-feira, na Folha. João Pereira Coutinho é português, jovem, professor universitário e escritor. Aos 17 anos já tinha coluna em jornal em Portugal. Hoje dá palestras mundo afora. Virou celebridade intelectual internacional. Sua principal característica? É "conservador", "de direita", "reacionário". Nomes que hoje são sinônimos de xingamento, tanto no ramo político quanto no acadêmico.
 
A coluna de JP na Folha de hoje aborda um livro recém-lançado no Brasil: "Mente Cativa", de Czeslaw Milosz, Editora Novo Século, R$ 39,90, 248 páginas. A obra fala sobre como os intelectuais do leste europeu se curvaram diante da frieza e crueldade do poderio comunista de Lênin/Stálin. O autor, que viveu a época, afirma que não foi um falso convencimento sobre a realidade do regime; eles sabiam que aquilo estava errado, não iria ter futuro. O que ocorreu é o que chamo hoje de "síndrome-da-ovelha-sem-rebanho".
 
Se existe algum aspecto da minha vida em que posso me vangloriar é de nunca ter sofrido dessa doença. Certo, tive algumas recaídas, rápidas e inofensivas. Mas desde minha infância fui fadado a ser a ovelha desacompanhada, que por algum motivo oculto – pelo menos na época – divergia das pessoas. Atualmente o próprio Coutinho me elucidou qual é meu problema (o mesmo do dele): ser conservador. Talvez vá além disso. Mas, desta posição ora confortável, ora não, percebo como as pessoas sofrem do tal Mal de OSR.
 
O mundo, por algum fenômeno muito estranho, nos obriga a remar de acordo com a sua maré. Maré esta que não é a correta, todo mundo sabe. Gritos e gritos são ouvidos sobre a incoerência da nossa sociedade. Por que as pessoas continuam fazendo o mesmo? Porque não acreditam nos que clamam? Não, simplesmente porque têm medo de ser a ovelha desacompanhada, que fala com as paredes, que todos acham tola. Voltando ao assunto do livro e da coluna de João, isso se dá de forma incrivelmente forte no caso dos "esquerdistas". Todos sabem que Marx é uma bobagem, mas dizer isto custa muitas portas fechadas, muitos bares inacessíveis, muitos círculos rompidos.
 
Só que, em certo momento a pessoa se vê tão enlameada em falsas ideias, que daria muito trabalho sair dali. De maneira magistral, JP Coutinho descreve o fenômeno: "Os intelectuais de Moscou, Budapeste ou Varsóvia, escreve [o autor do livro], não eram poetas, romancistas, filósofos. Antes, eram atores, permanentemente divididos entre o sentir e o mostrar. Mediam gestos, palavras, expressões. Representavam. E, dessa representação, alienante e até dolorosa de início, começaram a retirar um prazer infantil, masoquista, perverso. Inumano. Até não saberem mais distinguir a máscara do rosto. Porque a máscara devorara o rosto."
 
Caros, não tenham medo da Síndrome da OSR. Não tenham medo de enfrentar o liberalismo-moral que domina o nosso mundo atual. Não tenham medo de discordar de todos. Viva a liberdade de expressão! Viva a "direita" do mundo! Viva a classe de intelectuais que não tem medo de criticar o comunismo, mesmo sendo minoria! Viva João Pereira Coutinho! Viva todas as ovelhas sem rebanho! Abaixo a morte espiritual e as "certezas enganadoras do rebanho"!
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