Lutando (e matando) pelos direitos

Um fato inesperado pegou os jornais – e seus respectivos espectadores – de surpresa: uma frota de ativistas tentavam levar ajuda para a Faixa de Gaza, quando foram abordados por soldados israelenses, que mataram uma dezena dos benfeitores. Achei estranho quando vi a notícia na Folha.com, principalmente pelo fato de envolver Israel e palestinos, relação onde há sempre algo de errado. Mas quando vi os vídeos mostrando como foi a abordagem dos soldados, tudo fez sentido: soldados descendo por cordas nos barcos e sendo recebidos a pauladas e facadas, atirados ao mar. Os vídeos estão pipocando no YouTube. Vejam vocês mesmos.
 
Aquela imagem dos soldados sendo linxados pelos humanistas me remeteu a uma outra imagem impactante vista meses atrás: os também ativistas do Movimento dos Sem-Terra derrubando centenas de pés-de-laranja no interior de São Paulo. Como uma coisa está ligada a outra? Ora, são ativistas de causas nobres (condições de vida em Gaza e reforma agrária, respectivamente) utilizando-se da força para conseguir o que querem. A diferença? As laranjeiras não tinha fuzis; portanto, ninguém morreu no segundo caso.
 
Mas o que podemos ver de comum entre a organização FreeGaza e o MST? Por que abordar os dois casos de forma conjunta? Ambos tiveram o mesmo objetivo: chamar atenção, causar impacto, mostrar que no mundo há vilões e mocinhos. Certamente, se falar de "ruralistas" no Brasil gera o mesmo tipo de ódio que gera quando um palestino ouve a palavra "judeu". Somando-se um grupo odiado por muitos (inclusive na classe intelectual do mundo), causas fundamentais e violência, dá o quê? Episódios lamentáveis como esses que assistimos.
 
É óbvio que os israelenses abordam de maneira errada a sua questão com os palestinos; da mesma forma que os latifundiários também não agem corretamente em relação a suas posses. Mas para esses impasses, existem leis. Os "vilões" da história atuam baseados em regras nacionais e internacionais. Se alguém fura um bloqueio territorial ou invade uma fazenda, está se dispondo a tomar alguns tiros, no mínimo. Mas num mundo regado pelo ódio e pelo egoísmo, vale usar a violência contra o ser humano e contra a natureza, causando mortes nos dois casos, para fazer palanque em questões que poderiam ser discutidas de forma organizada e pacífica.
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