Aqui, ali e acolá – Nós no mundo

Continuando a explorar as infinitas discussões do livro "Por que estudar a Mídia?", de Roger Silverstone (ver post abaixo), reflito agora sobre um outro aspecto que ele aborda na discussão de nossa vivência cotidiana: onde nós vivemos, onde colhemos os frutos da experiência. Afinal, estamos sempre nos relacionando com as pessoas; o grau de proximidade e efetivadade desse relacionamento está ligado de maneira direta ao local onde ele se dá. E o autor estabelece três locais que exploro aqui.
 
Primeiramente, o "lar". Palavrinha tão pequena, tão simples, mas tão cheia de sentidos e sentimentos. Poder usufruir de um lar é uma das características principais da nossa espécie, biologicamente falando. Da biologia isso reflete na mente e em todos os desdobramentos de nosso ser. Ter um lar é ter um porto seguro, onde voltamos depois das aventuras perigosas do cotidiano. E a noção de lar também trata da noção de família, o grupo de pessoas que divide o lar conosco. Sim, existem os lares solitários, como o meu, mas o homem está sempre propenso a formar um lar "verdadeiro", com uma família mais ou menos numerosa. Os dois conceitos estão sofrendo muita pressão nos tempos atuais, pressão feita pela própria mídia e que se reflete na saúde social da humanidade.
 
Depois Roger trata da "comunidade", esse conceito que a cada dia fascina mais quem se aventura a entendê-lo. Comunidade ideológica, o verdadeiro e perfeito local de integração entre as famílias que estão próximas fisicamente, mas também o novo local em que pessoas distantes e relativamente desconhecidas trocam informações online. É a cara do novo mundo, sabiamente chamado pelo autor de "tardo-moderno". Uma modernidade que nos dá mais oportunidade para falar, mas menos conteúdo para compartilhar, e menos motivos para fazê-lo.
 
Ao se somar todas as comunidades que por aí se formam (correta e incorretamente), forma-se o "globo", o mundo todo, o planeta, a humanidade. Convivemos com o planeta Terra todo da mesma maneira que convivemos com nós mesmos em nossos lares. Não só pela tela da TV, que despeja toneladas de notícias sobre crimes e violência na Grécia, ou que transmite ao vivo os jogos direto da África do Sul. Mas principalmente porque todo o nosso agir está ligado com o agir das pessoas em outros estados e países: na política, no meio-ambiente, na moral. E isso também se esqueceu, ou se está esquecendo. Ainda há tempo de lembrar?
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