Futuro, passado e presente – Nós com o mundo

Por fim, consigo destacar mais um quadro de discussão do livro de Silverstone. Se você não está entendendo porque estou começando o texto com uma conclusão, é porque deve ler os dois posts abaixo, onde trato das primeiras reflexões sobre o livro "Por que estudar a Mídia", de Roger Silverstone. Já falei de como nós interagimos com o mundo e onde nos interagimos com o mundo. Agora pego carona nas ideias do autor pra pensar por que fazemos esta interação contínua com a sociedade, que nos traz a bagagem vinda da tal "textura da experiência", sobre a qual o autor aborda.
 
Esses são também três. Devem haver mais, mas basta esse trio para compreendermos a complexidade das relações humanas, e como devemos tomar cuidado quando as abordamos. O primeiro ponto é a "confiança". Viver é confiar; seria impossível viver com o "desconfiômetro" ligado o tempo todo na regulagem máxima. Não haveria Estado de Direito, democracia, mercado, comércio, vida. Em tudo que fazemos temos que depositar um pouco de nossa confiança. E isso não é uma metáfora; literalmente, nos dias atuais, até a confiança virou moeda de troca nos mercados. Talvez seja porque exatamente as pessoas andam mais críticas e desconfiando mais.
 
O segundo aspecto, que nos faz quere viver e percorrer o mundo é a "memória". Temos lembranças das vivência que já tivemos em outras épocas; aquelas que já nos influenciaram no que somos hoje. Nossos atos de hoje também serão um dia memórias do que seremos amanhã. Dizem que o brasileiro não tem memória; outros já reinvindicam uma memória seletiva. Nem um, nem outro. As recordações são inalienáveis. Mas estão definitivamente ameaçadas pelos meios de comunicação, que fazem o "favor" de as registrarem para nós. Tirando da nossa cabeça e indo para o HD ou para o cyber-espaço, fica fácil de irem para lugar-nenhum.
 
Finalmente, o que move o ser humano rumo à próxima manhã – pelo menos assim deveria ser – é "o Outro". "Outro" assim mesmo, em maiúscula. Talvez uma versão mais moderna e smart do já conhecido "Próximo", bem como a "ética" é uma versão repaginada do que chamamos de "amor". Ao passar a defender uma postura mais ética em relação ao mundo, inclusive na política da mídia e na mídia da política, o autor acaba caindo num terreno que para qualquer cristão é muito bem mapeado. Sócrates falou disso, Kant falou disso, está no Deuteronômio; mas é em Cristo que o pensamento em relação ao Outro atinge sua plenitude.
 
Se é essa a conclusão que Silverstone chega ao fim do livro – que é necessário nos preocuparmos mais com o Outro, no aspecto ético-político-midiático, quer dizer que está faltando ao mundo ser mais cristão. Novidade, não? Bem gostaria eu que toda pesquisa social, em comunicação ou qualquer outra área chegasse também numa conclusão dessas. Ainda estou batendo palmas para este livro.
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