Brasil está fora. Só futebol?

Depois de mais de um mês de expectativa (podemos dizer mais de três anos?), a Seleção Brasileira de Futebol caiu exatamente na mesma fase da última Copa, em 2006: nas quartas-de-final. Novamente perdeu para uma seleção que tem muitas qualidades individuais, mas evidentemente é inferior: lá era a França, hoje é a Holanda. Dentre todas as frases-feitas repetidas por Galvão e equipe (que esse ano tinha a companhia de dois agourentos: Júnior e Casagrande), o locutor repetia: "Isso é apenas um jogo de futebol". Tudo bem, mas dá pra tirar muita coisa daí.
 
Primeiramente, creio ser importante analisar o futebol da equipe. Há muito tempo ficou óbvio que a Seleção deixou de ser o Brasil. Se na última Copa tínhamos o "quadrado mágico" no ataque, nesta edição do Mundial nos vangloriávamos do trapézio irregular mágico da defesa: Júlio César, Maicon, Lúcio e Juan. Ainda estou para elaborar uma frase para esse fato, mas por enquanto estou com essa: "um Brasil que joga como Itália", ou, como diria José Simão, o time parecia kombi escolar: só tem volante. A diferença é que para os italianos a fórmula serviu pra ganhar a última Copa; para este ano, porém, ficaram logo na primeira fase.
 
Mas não é tanto a questão do futebol que gostaria de colocar aqui, até porque acho que ficou comprovado que o Dunga é um mau técnico (como eu sempre afirmei) e o time tinha problemas individuais graves (leia-se Felipe Melo). Mas o fato que gostaria de enfatizar aqui – e já fiz isso em outros textos e já discuti isso em um zilhão de conversas – é a falta de controle – ou fragilidade – emocional do Brasil. E isso não é exclusividade desta seleção ou deste momento: é característica do povo brasileiro. Sim, vale para mim e para você. Reluto em aceitar, e talvez um dia o faça, em acreditar que o nome disso tenha sido definido por Nelson Rodrigues, que disse ser um "complexo de vira-lata". Mas acho que passa por aí.
 
O esporte é algo que exige sangue-frio, principalmente no que tange às competições de altíssimo nível que se desenham atualmente, nas mais variadas modalidades. E os holandeses leram certinho o script do Brasil: ganharam o jogo com base no nervosismo do time, que já havia sido mostrado nos últimos jogos.  Já vi esse filme inúmeras vezes nas mais variadas competições; já vi o mesmo desequilíbrio no dia-a-dia, no julgamento dos Nardoni, na crise do Senado, e se tivesse tempo e paciência poderia crescer essa lista muito mais. A vida exige calma e racionalidade.
 
Mas finalizo achando engraçado isso tudo dizendo que não estamos, sem dúvida,  falando só de um jogo de futebol. Esta Copa revelou muitas coisas: o Felipe Melo pisou no holandês, o Dunga ofendeu a imprensa (e foi defendido por parte dela), o Kaká se mostrou explosivo, Luís Fabiano (um conhecido desleal em campo) virou herói nacional, e – principalmente – o povo fez festa do mesmo jeito depois do jogo. Se olharem bem para cada um dos esteriótipos citados acima, verão que é um grande mapeamento da sociedade de nosso país. Do técnico aos eleitores, do Presidente aos jogadores.
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