Es-tá valendo!

Ainda em clima de uma Copa do Mundo moribunda, poderíamos falar que se Sílvio Luís narrasse os "jogos eleitorais" brasileiros, hoje ele diria aquele "es-tá valendo!" tão característico e inconfundível. Mas como não temos este prazer – o que tornaria ao menos um pouco engraçada a disputa – nos contentamos com os jornais reclamando de um pseudo-início, que a disputa se iniciou muito antes. Fico pensando o seguinte quanto a isso: se os candidatos iniciaram antes a fazer o planejamento de suas campanhas, suas viagens e sua propaganda, creio que se pudessem fazê-lo oficialmente desde janeiro, iriam iniciar no ano anterior todo este processo. Datas não são superstições, são marcos regulatórios. Quem desrespeitou, multa neles.
 
Mas o que também já começou há muito tempo (e agora ganha um caráter oficial e um horário na TV e no rádio) são as lambanças dos candidatos. Como manda a lei (e também é criticada pelos jornalistas), os presidenciáveis se cadastraram formalmente no TSE. Não seria isso necessário? Não sei. Mas lá eram obrigados a colocar um programa de governo. Serra, de maneira muito humilde e que exige muito trabalho para elaboração, fez de discursos seus o programa. Dilma, inocentemente errou o arquivo "Programa.doc" pelo "Revolução PT.doc", que são – evidentemente – de nomes muito parecidos. Mas depois consertou a trabalhada. É óbvio que estou sendo irônico nos dois casos, não fosse já por natureza esta eleição uma grande ironia.
 
Da mesma forma que só pode ter sido uma grande ironia o que disse hoje Fernando de Barros e Silva em sua coluna da Folha: o fato de Dilma ter trocado a "Revolução PT.doc" pelo "Programa.doc" não é ruim pelo caráter fundamentalista daquele (como se o Brasil precisasse de algo nesse sentido nesse momento), mas sim pela frouxidão dos conteúdos deste último. Diz temer uma "sarneyzação" de Dilma. Mas como pode Dilma sofrer influência de Sarney se ela mesmo não sabe quem é? E se o jornalista liga Dilma ao Lula, podemos dizer – sem dúvida – que ele sofreu a maior sarneyzação e collorização da história para poder se eleger Presidente. Afinal, é ele quem vive de abraços com Roseana hoje, quando a criticava duramente anos atrás.
 
Portanto a campanha começa assim, pelo menos na cobertura jornalística: como se Dilma fosse alguém e Serra, Marina e o resto ninguém – muitos realmente não são mesmo. Eu não acredito que a situação vá mudar muito por causa da propaganda na TV, que não vejo como tão influenciadora. Como Dilma está tendendo a fugir dos debates, também não serão eles a adicionar alguma coisa. Se as pesquisas estiverem certas, a disputa vai empatada até às urnas, o que deixa tudo bem indefinido. Ainda acho muito difícil a missão da oposição sem Aécio como vice, mas a bola só vai rolar realmente a partir de hoje e o gol só será marcado em outubro.
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