O que é a Copa e o Futebol

Passei os últimos dias tentando compreender as nuances que uma Copa do Mundo de Futebol possui filosófica, política e socialmente, aproveitando-me dos dias sem jogos para afastar-me um pouco da situação. O problema é que estava eu muito atarefado com uma série de trabalhos para a universidade, o que não me possibilitou reflexões muito profunda. Não foi surpresa, porém, que muitas pessoas pensaram por mim, e muito melhor, obviamente. Entre elas o sempre querido João Pereira Coutinho, que mais uma vez fez uma comunhão de pensamentos comigo. Transcrevo alguns trechos abaixo, mas a íntegra está aqui. Finalizo assim, com chave de ouro, minhas reflexões sobre a Copa do Mundo.
 
JOÃO PEREIRA COUTINHO

O futebol não é um jogo

 
(…)Escreveu o dr. Dalrymple, em artigo para a "New English Review", que não consegue suprimir o seu desprezo pelo futebol. Como é possível que países alegadamente ilustrados possam dedicar a um jogo todas as energias da nação?
Como é possível que a França possa reunir "comissões parlamentares de inquérito" para analisar o que sucedeu de errado com a sua seleção? Será que as pessoas não reparam na vulgaridade e, pior, na inutilidade de transformar um mero jogo em que algo que ele não é?
(…)Com a devida vênia, discordo. Futebol não é apenas futebol. Descontando a dimensão financeira e mediática avassaladoras, que sacode o globo inteiro, o jogo tem importância política e até existencial que é impossível não ver.
(…)A União Europeia fez-se para harmonizar os interesses das nações do continente e, quem sabe, diluir as velhas identidades nacionais num único projeto federal.
Mas essas identidades existem e persistem quando Portugal encontra Espanha; quando a França encontra a Alemanha; quando a Irlanda encontra a Inglaterra; quando a Polônia encontra a Rússia. O futebol é a válvula de escape para que os países, formalmente unidos em Bruxelas, possam libertar medos ou ressentimentos que o tempo armazenou no subconsciente histórico.
(…)Mas não apenas no subconsciente histórico. Disse que o futebol tem importância política e existencial. E essa última dimensão encontra-se no torcedor anônimo, que festeja e chora o destino da equipe como se fosse o seu próprio destino. (…) Ele anseia por ordem, força, criatividade, disciplina, vontade ganhadora; ele exige o que seria incapaz de exigir a si próprio. Porque não pode, ou não quer.
O futebol não é apenas um jogo. No Ocidente global e pós-moderno, onde a religião e mesmo o Estado-nação foram recuando na sua força vital, o futebol preencheu esse vazio, congregando novos fiéis com um novo sentimento de pertença.
E com uma nova narrativa. Uma narrativa pulsional e tribal, feita de confrontos maniqueístas, sofrimentos coletivos e a possibilidade de uma redenção final e mundana.
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