Análises da eleição: uma imparcialidade ainda não encontrada

Virou lugar-comum falar por aí sobre voto consciente. "Não devemos fazer na urna o que faríamos no banheiro", diz o apresentador Fausto Silva. Mas uma dúvida é geral em todo mundo que converso: como saber se quem está sendo votado é realmente justo e se ele não fará nada de mau no seu mandato? É óbvio que é impossível se prever o futuro e isso não é feito em nenhum país do mundo; o que as grandes democracias conseguiram fazer muito bem – e nós não – é o debate de ideias. Isso sim decide em quem devemos votar.
 
E por onde podemos receber as informações dos candidatos sem que seja dos próprios veículos deles, que certamente não terão a isenção como referencial? Da imprensa, é claro: a guardiã da democracia. O problema é a qualidade da cobertura dela, que mais do que deixar de ajudar os eleitores, podem prejudicá-los na construção de suas ideias. A televisão é a que mais influencia e que menos ajuda. Os debates e horários eleitorais são apenas a cereja de um bolo muito mais complexo, que precisa ser acompanhado diariamente.
 
Eu ainda acredito que o melhor meio seja o impresso, cada vez mais esquecido e jogado na sarjeta, principalmente os jornais. Nada de portais de internet: falo dos jornais de folha e tinta, mesmo que sejam em formato digital. Eles não são melhores por serem mais imparciais ou por aprofundarem da maneira necessária, mas simplesmente por terem espaço pra trazerem mais de uma opinião, entre elas as que não são iguais as do próprio jornal (mesmo que sejam minoria).
 
Falando da Folha de S. Paulo, o jornal que acompanho, já temos exemplo suficiente. Na edição de hoje, primeiro se vê uma coluna Fernando Rodrigues na nobre página A2, trazendo aquele perfil de análise que cada dia é mais comum, que defende que José Serra, a cada dia que passa, perde mais as eleições (se é que isso é possível): escolhe as táticas erradas, insiste em temas inúteis, não parte para o ataque, ou parte para o ataque. Um conjunto de teorias sem sentido por parte do articulista, que não irei demonstrar aqui para não deixar o texto muito longo.
 
Por outro lado, na A6 já se vê uma análise ótima de Luiz Guilherme Piva, falando dos debates da TV. No texto se encontra tudo que o eleitor pede: leitura direta do assunto, sem frases de efeito, com conhecimento de caso e imparcialidade dos candidatos. Não sou eu que estou defendendo ninguém: está lá pra quem é assinante ler. Falta para a maior parte dos articulistas, escritores e jornalistas em geral algo básico nessas eleições: falar dos pontos fracos e fortes de todos os que concorrem. Mas eles poupam alguns e fuzilam outros. Talvez seja para não desagradar os 80% de lulófilos que tanto citam.
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