Ordenação episcopal e questionamentos

No último fim-de-semana tive a oportunidade de participar de uma cerimônia pouco comum: a ordenação de um bispo da Igreja. Estavam na Catedral outros sete bispos, além do anfitrião. Foram mais de três horas de celebração, numa sucessão muito bela de acontecimentos cheios de significado, com uma grande carga ritualística e de protocolo. Para quem estava realmente prestando atenção em tudo que se passava, um espetáculo magnífico. Mas certamente cheio de questionamentos que qualquer não-católico (ou até semi-católico) faria; críticas que brotam do seio da nossa amada sociedade pós-moderna.
 
Primeiramente: "por que todo aquele ritual? Não era mais fácil fazer algo improvisado, principalmente como se acostumou a ver nas aparições públicas de nosso excelentíssimo Presidente da República? Tudo não fica mais engraçado, atrativo e interessante quando não há tantas regras?" Certamente muitos pensaram coisas nesse sentido durante a celebração. E essas questões representam duas faces do hoje-em-dia: a falta de paciência em ver coisas se sucedendo logicamente, tendo cada uma seu tempo, sem muito ligar para o andar do relógio; e também a falta de valorização dos rituais, que marcam uma passagem, uma mudança na vida de alguém que acaba por afetar o mundo (principalmente quando nela está presente a ação de Deus, do Espírito Santo – mas aí vai do crente).
 
Segundo: "Por que só tinham homens naquele altar? Como a Igreja Católica é machista! Não há espaço para as mulheres na institução! A maioria delas estava na ‘plateia’, principalmente como freiras com semblante sofrido, enquanto os homens se divertiam lá em cima!" Eis uma dos argumentos mais comuns e falhos contra a Santa Madre. A primeira resposta que pode ser dada é uma pergunta: por que então Cristo veio homem? Certamente para poder suportar todo o sofrimento – principalmente físico – que passaria. E por que só escolheu homens como apóstolos? Provavelmente para que eles também suportassem com firmeza todas as dificuldades de levar o Evangelho para o mundo todo. E isso não diminui as mulheres em momento algum; até porque quem estava no altar aquele dia não era maior que quem não estava, pelo contrário: só existem bispos porque existem leigos. Assim sendo, as mulheres são as bases da Igreja, velando cada uma delas pelo difícil equilíbrio de seus lares.
 
E muitas outras poderiam surgir daí: "Pra quê foi gasto tanto dinheiro com uma bobagem daquelas? Cristo não pregava no pasto, com roupa rústica?", ou talvez "Por que deixar o cara deitado tanto tempo no chão, com a cara no tapete daquele jeito? Coitado!", ou ainda "Vai demorar pra virar bispo assim em outra freguesia!". Questões que estão na mente de todos protestantes, mas, infelizmente, estão rondando os pensamentos de muitos católicos. E as respostas pra todas elas estão ao alcance dos olhos, no "jornalzinho" litúrgico que relata tudo que está sendo dito lá. Ignorância? Penso que poderia ficar melhor uma "auto-crítica preguiçosa". Ah, se ela desaparecesse e todos pudessem aproveitar melhor estes momentos sublimes.
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