As eleições e os debates

As eleições para Presidente da República – neste curto período de sua existência recente – trazem para quem é um pouco mais afinado à política espetáculos dignos do horário nobre: os debates. Muito melhor que as novelas, que os programas de humor, até mesmo que muita partida de futebol jogada hoje em dia. Nestes ambientes, os candidatos não têm auxílio de TelePrompter (a não ser o TP mental) e têm que se virar com as questões abordadas pelos adversários. Estes programas televisivos sempre são históricos: de Lula em 1989 a Alckmin em 2006.
 
As disputas eleitorais deste 2010 não poderiam ser diferentes, e nos brindam também com bons debates, até agora. Analisando os três que se desenrolaram, pode-se perceber fatos interessantíssimos, pois são eles muito diferentes e guardam suas particularidades. O primeiro foi na Band, estilo clássico, com Ricardo Boechat mediando, e músicas emocionantes pra dar o clima. Depois, houve o debate Folha/UOL, o primeiro na história transmitido só via internet, com participação de internautas mandando suas questões; muito interessante, a cara do século XXI. Por fim, um debate muito especial para mim: transmitido pelas TVs e rádios católicas, para tratar das questões-chave que a Igreja defende com tanto zelo e afinco.
 
O tom das conversas entre os candidatos desse ano estão tranquilas; até porque Serra, Dilma e Marina não entram em conflito em seus discursos, pois as propostas do primeiro não se confrontam com a da última, e a segunda não tem propostas a não ser "continuar o que está sendo feito". Fator distoante no primeiro e no último debate foi Plínio de Arruda Sampaio, que com seu discurso esquerdista-revoltado-utópico-da-década-de-50, traz mais a distração de um bufão do que consistência política. Resta algo como um "papo de surdo-mudo", onde cada um defende o seu e nada é debatido, apenas dito para as paredes e poucos ouvidos atentos.
 
Algo mais os debates deste ano estão provando: o pouco engajamento e vontade de acompanhar a política de nossa gente. O primeiro debate foi superado de longe pela audiência da partida de futebol da Globo; o segundo foi visto por internautas de plantão, que são – convenhamos – pouca gente; e o último tinha público-alvo certo: os católicos que acompanham os canais da Igreja, que não são maioria. Apesar das críticas que chovem sobre os candidatos, dizendo que estão fazendo pouco nessas oportunidades, eu já vejo o efeito contrário: não há muito gente ali exigindo que eles façam muita coisa.
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