Dois casos, duas realidades; dois pesos e duas medidas

Duas histórias que parecem distintas (e são), mas ajudam a compreender uma a outra: primeiro o caso Bruno, lembram? Saiu da mídia mas certamente ainda não saiu da cabeça dos brasileiros. Personagem principal: um jogador de futebol; Acusação: ter matado a amante, que havia tido um filho e iria cobrar uma gorda pensão alimentícia; Outros participantes: os amigos que haviam feito o serviço sujo; Provas: sangue da vítima no carro de Bruno, o bebê do casal com a ex-mulher do jogador, além do sumiço da vítima.
 
O outro caso é o atualmente discutido na mídia (talvez com nem tanto destaque como o de Bruno): a quebra de sigilo da Receita Federal, com dados de várias pessoas ligadas a José Serra, inclusive sua filha e o vice-presidente do PSDB. Personagem principal: Dilma Rouseff, candidata a Presidência pelo PT; Acusação: ter encomendado a quebra de sigilo para produzir um dossiê para prejudicar a campanha de Serra, que estava na frente nas pesquisas; Outros participantes: rapazes que trabalham para Luiz Lanzetta, contratado para fazer a comunicação da campanha, além de gente dentro da Receita e mais alguns cabeças-de-bagre; Provas: os dados sigilosos há tempos circulavam em blogs petistas, o dossiê com esses e outros dados nas mãos de Lanzetta, além das provas de que o sigilo foi efetivamente quebrado.
 
Deu pra perceber algumas semelhanças? Nos dois casos não houve provas concretas de que o pivô da história realmente teve relação com o crime. O advogado de defesa de Bruno cogitou que Elisa havia sumido de propósito, e até convocou ela para prestar depoimento, afinal o corpo não foi encontrado. No caso Dilma, a primeira análise do TSE disse que não há como provar que toda a lambança tenha partido da boca da candidata, nem de ninguém envolvido em sua campanha. Tudo bem que um caso envolve morte, é muito mais cruel, mas o outro é tão danoso para democracia quanto, talvez mais.
 
Qual foi o desenrolar dos casos: Bruno foi preso preventivamente junto com seus amigos mais próximos, com a procuradoria e a imprensa soltando todos os veredictos possíveis antes da hora. No caso Dilma, além do próprio TSE ter se negado a ligar alhos com bugalhos, a imprensa nem cogita a hipótese, pelo contrário: é Dilma quem processa Serra por calúnia ou difamação. Sei que pode soar exagerado a comparação dos dois casos, mas vi certa semelhança neles. As diferenças ficaram na no modo como a justiça e a imprensa tratam um jogador de origem humilde e a "escolhida" do Presidente.

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