A vergonha de Pinnochio

Mais um debate entre os presidenciáveis se deu ontem, no auge do "já ganhou" que dominou todos os cantos do Brasil, naquele mecanismo que já expliquei num post antigo. Poderia se dizer que este debate RedeTV/Folha foi mais do mesmo, não trouxe nada de novidades, a não ser um Serra aflito em colocar Dilma contra a parede. Mas eu percebi uma coisa muito importante e muito maléfica para a política, que contaminou todos os candidatos, sem exceção: eles mentem. Descaradamente. Sem medo de serem desmentidos. Cada um a sua maneira.
 
As mentiras de Dilma são as melhores, podendo ser catalogadas nas "mentiras deslavadas". Não só na postura que mostra nos debates, mas também nos maravilhosos e cinematográficos programas do horário eleitoral gratuito. Ela aprendeu com seu grande mestre na arte da mentira, Presidente Lula, a mais sublime das artes de enganar quem está ouvindo: mentir com convicção, com firmeza, como se estivesse vindo aquilo do fundo do peito; de preferência, com auxílio de musiquinha e takes de filmes grandiosos. São os especialistas máximos na arte da inverdade.
 
José Serra também mente, e não vou negar isso aqui. As suas podem ser classificadas como "mentiras vacilantes". Primeiro, quis pegar carona na lenga-lenga do governo, para tentar aproveitar a onda de popularidade de Lula, dizendo coisas como "o Bolsa-Família funciona", "houveram grandes investimentos em infra-estrutura", "a política externa está correta". Depois que o placar virou, passou a fazer aumentos (que não deixam de ser mentiras) nos casos da quebra do sigilo da Receita, vitimizando-se em excesso e esquecendo que o caso é muito mais grave do que a parte que atinge seu umbigo, que também é gravíssima.
 
Marina Silva é a mais polida, com voz fina e trejeitos leves (o oposto de Dilma), mas também está na mesma barca. Vou delicadamente chamá-la de produtora de "ecomentiras", aquelas que querem trazer uma mudança radical ao mundo, mas verde (não confunda com a vermelha). Tentou-se jogar estas mentiras goela abaixo de todos nós quando Al Gore as chamou de "verdades inconvenientes". Mas essas verdades não são tão fortes nem importantes assim, e por isso Marina não é lá levada muito a sério.
 
Plínio de Arruda e todos os seus amigos nanicos de esquerda podem ser enquadrados na mesma forma de mentir, esta já muitíssimo conhecida de quem já se sentou num banco de universidade ou frequentou movimentos sociais: as "mentiras comunistas". Apesar de eles agora dizerem que fazem um comunismo pós-moderno, que até tolera a democracia, ainda defendem as ideias fajutas, incompletas e irresponsáveis do velho Marx, mas que ainda embalam muitos corações por aí, no melhor tipo "me engana que eu gosto".
 
Apesar das brincadeiras, fico muito preocupado com essa capacidade dos candidatos, de dizerem cada um sua ficção, sem se preocupar em elucidar o eleitor; pelo contrário, parecem querer confundí-lo mais e mais. Certamente não é um bom exemplo para as crianças; não o é também para a democracia; nem para a nossa imagem no exterior. É fácil compreender então o descrédito que possui a política ultimamente: o eleitor não pode mentir na urna nem nos impostos; os políticos podem falsear o passado, o presente e o futuro.
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