O famigerado e o Partido das Vítimas

O jornal Estado de S. Paulo publicou hoje um editorial onde declara que apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República. Isto, como era de se esperar, causou uma onda de desconforto misturado com alegria da parte do nosso país que se interessa e se preocupa com este tipo de coisa, ou seja, pouquíssima gente. Mas esta atitude um tanto estranha do jornal mostra que alguma coisa está errada no país, e que caminhamos para rumos, no mínimo, incertos. Devido ao grito também da Folha – que publicou editorial de primeira página no mesmo clima – essa eleição é mais importante do que imaginava minha humilde consciência.
 
Primeiro vale falar que eu não concordo que o jornal tome este tipo de atitude. É óbvio que devemos crer que essa opção não tira a credibilidade do Estado para a apuração das notícias de política, e isso nem passou pela minha cabeça. Mas ainda acho que isso é um extremo que ou demonstra um despreparo do jornal com a situação, ou mostra que o negócio é realmente feio. Isso penso eu como mísero estudante de comunicação social. Mas as "vítimas", já gritam por aí que isso foi apenas uma confissão, no melhor modo DOI/CODI de ser.
 
Me sinto na obrigação de, no mínimo, mostrar como eu vejo as coisas do lado oposto; defendendo o meu, devo mostrar como o vitimismo do PT é mesmo cínico. É claro que o jornal somente se posicionou desse modo – tão radical – pelas últimas falas de Lula, ecoadas por Dilma (que só isso sabe fazer) e levadas à pratica por um grupinho muito chatinho que calou muita gente hoje em dia: as centrais sindicais, o próprio PT e até a União Nacional dos Estudantes, que podem falar por qualquer universitário por aí, menos por mim. Ah, e o mais importante: estava no meio também o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
 
Esclarecendo: jornais são como qualquer empresa privada por aí, com todas suas características. Seu produto é a informação. O mesmo risco que isso gera é o preço que é pago para se obter as informações necessárias que veículo público ou comunitário nenhum traria para nós. Foi esse status que os colocou como o "quarto poder", "sacerdotes da democracia", como eu tanto critico. Mas são também eles que colaboram na chance que temos de viver num ambiente minimamente livre para a vida e expressão, qualquer que seja ela: num blog, sala de aula, suíte ou praça.
 
Ao perceber que estão sendo cercados (até mesmo pelos seus trabalhadores, que são sindicalizados como qualquer outro) e seus interesses ameaçados, eles reagem assim, com editoriais, a voz do jornal. Tudo não passaria de jogo de poder – ou discussão de Relações Públicas – se os interesses dos jornais não fossem os mesmos da democracia, e se eles não fossem o termômetro de como ela vai! Basta olhar os casos: aqui no Brasil, Getúlio e os militares; a Venezuela de Chávez; as ditaduras comunistas; a Argentina; todos tão amistosos com seus meios de comunicação (não é?), e exemplos de participação popular.
 
Agora, não me venham dizer que isso foi só uma exposição pública de um grupo de meios de comunicação que são "anti-petistas", ou que "não gostam de Lula", etc. São só os maiores meios de comunicação do país! Ou talvez eles mesmo que estejam errados, devíamos ficar só com a TV Brasil, a Carta Capital e a Record. Viveríamos no paraíso da liberdade. E pela reação de hoje dos jornais, isso não deve ser tão impossível de acontecer.
Anúncios
Explore posts in the same categories: Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: