Infanticídio, aborto, política e prioridades

Uma criança. Um serzinho tão insignificante, principalmente quando ninguém dá significado a ele. Quando dentro da barriga da mãe, era invisível até a popularização do ultrassom, que não permite ver lá muita coisa. Quando recém-nascido, todos tem a mesma “cara de joelho”. Que direito teria essa criaturinha? O que o difere de outros seres vivos que habitam nosso planeta? Quem decide por ela, já que nem abrir os olhos consegue?

Já houveram culturas que acreditavam ter total poder de decisão sobre esses pequenos humanos. Em Esparta, na Grécia, se matavam as “defeituosas”; tribos indígenas fazem o mesmo; na China há muito tempo se mata meninas ainda no ventre da mãe, para regular-se a natalidade; e existem outros exemplos. Dentro ou fora da barriga, infanticídio ou aborto: temos o direito de agir assim?

“Temos”, é a resposta de muita gente hoje em dia. “Não temos”, dizem os corações-moles. “Aquelas eram civilizações retrógradas”, podemos pensar. Mas muitos focos de apoio à morte de fetos e recém-nascidos brotam hoje dos setores mais iluminados da sociedade: doutores, pesquisadores, cidadãos, os “progressistas”. Estão eles defendendo posturas antiquadas? Não estão.

Por quê? Pois na Antiguidade, se matavam crianças pelo fato de se ver naquelas boquinhas chorosas uma futura “bocona”, que consumiria mais comida, que concorreria por sobrevivência; ou que, se viesse “com defeito” exigira cuidado e não contribuiria na manutenção da cidade ou tribo. Hoje, fazemos o contrário: defendemos “direitos humanos”, mas não nos lembramos que aqueles humaninhos um dia se tornarão “humanões”. Vê-se um regresso em nosso progresso; trevas em nossa iluminação.

Mas por que crianças poderiam ser assunto de um debate eleitoral? Por que nascituros e recém-nascidos poderiam ser citados como parâmetro para se eleger o presidente de uma nação? Ora, esse é mais um assunto, um pressuposto, uma opinião debatida entre os “reacionários” de pensamento “medieval”; e os “progressistas”, que trarão vida nova aos necessitados, libertação aos cativos e etc. (Messianismo?)

Para uns, “a favor da vida”, feto é gente; para os “reformadores da sociedade”, é problema de saúde pública. E não se assuste, pensando que isso é artimanha eleitoral de alguns, para pegar um Presidente popular no pulo; foram eles mesmo que começaram. O assunto estava lá, na cabana dos temas intocáveis, até que apareceu no tal PNDH-3 (ver post de janeiro). “Descriminalização do aborto” era tratado como “compre um sorvete pra mim, por favor”. Juntando-se a isso a guerra que se forma na época eleitoral, onde qualquer ponto dissonante é explorado, resta o oba-oba que está agora.

Quanto à Igreja, contorce-se para equilibrar sua “defesa da vida” com a sua “Doutrina Social”. Buscou ajudar seus fieis no processo eleitoral, “festa da democracia”. De maneira inédita, os presidenciáveis (quase todos os importantes) compareceram a dois debates de inspiração católica. Temas-chave para o clero foram debatidos. Se agora seus argumentos e interesses extravasaram os limites da Canção Nova e Rede Vida, faz parte  do risco assumido.

Pois o que sobra é um impasse, que chega a rachar os padres e bispos: de um lado, poupar a “Doutrina Social”, que ensina o fiel a votar e melhorar de vida, mantendo-se neutra e influenciando só “para o bem”, sem prejudicar ninguém; do outro, “defender a vida”, levantar a bandeira do nascituro que ninguém defende. O que vem primeiro? Qual é mais importante? Teologia da libertação ou da criação? Chega a ser irônico tal debate político-eleitoral coincidir com a Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro, 8 de outubro, hoje.

O estopim para a proliferação de tal debate se dá em tempos onde o meio-ambiente é também defendido ferrenhamente. Até a Semana da Vida traz o tema “Vida, Ecologia Humana e Meio Ambiente”. Dá-se o diálogo: “Você é a favor do desenvolvimento e do progresso?” “Não, eu sou ambientalista, sou a favor de preservar a natureza”. Eu sou a favor do ser humano, acima de questão política, social, econômica, cultural. Sou a favor de se ver o ser humano como capaz de direitos desde a concepção até a morte natural.

Acredito no desenvolvimento econômico e na preservação ambiental, inclusive andando juntos. Mas nada sequer andará enquanto os direitos humanos (os verdadeiros) não estiverem sendo respeitados devidamente. Sabemos que o mundo está cheio de gente onde outros valores estão na frente, inclusive valores “cristãos” um tanto estranhos. Nosso valor é a Vida em plenitude, é o Caminho da honestidade e a Verdade inquestionável de Nosso Senhor. Guardiões, erguei-vos sem medo!

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