Sobrou mentira, faltou “faro de gol”

O atacante Romário se elegeu Deputado Federal, na onda dos grandes astros que filaram uma boquinha na política esse ano. Não vi a campanha do “baixinho”, mas me lembrei dele ao assistir o último debate entre os presidenciáveis, na TV Globo, que acabou agora há pouco. Creio que depois de ver tanta entrevista, programa eleitoral, debate, opiniões (isentas e outras nem tanto), posso tentar definir um veredicto sobre os candidatos que amanhã votaremos, dos quais um deles será nosso Presidente da República pelos próximos quatro anos. Vamos por partes, pois algumas coisas precisam ser ditas, e aproveito e explico ao fim o que um dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro tem a ver com isso tudo.

Primeiramente, vamos analisar a candidata governista, Dilma Rouseff. Ela, chamada por muitos jornalistas de “criatura eleitoral” de Luís Inácio Lula da Silva. Existem por aí (e não são poucos) aqueles que defendem ser ela uma mulher preparada para o cargo, ou simplesmente uma mulher preparada, ou mesmo só uma mulher: são todos argumentos que tentam jogar ao seu favor. Com o passar do tempo, porém, enquanto ela foi se distanciando da figura de seu criador, percebeu-se facilmente que Dilma realmente não tem o cacife para estar onde está. Pode até ser boa gestora, mas não é uma política; e, desculpem quem pensa o contrário, mas política é feita por políticos. E nem que ela seja boa gestora eu concordo; até cunhei a seguinte frase: “não votaria nela nem para síndica do meu prédio”. E cada vez fico mais convicto disto.

Enquanto todos os ventos sopravam a favor da candidata da situação (ou nem todos, pois ainda existem 3% que acham o governo ruim ou péssimo, para a felicidade democrática da nação), apareceu José Serra, figura conhecida da política nacional, alguém que desenhou uma carreira que o levou com méritos a uma disputa pela Presidência hoje. Mas Serra também é uma pessoa que atraiu para si uma antipatia por parte de muita gente, que até hoje não entendi o porquê; já escrevi textos sobre isso, já perguntei pra quem poderia perguntar. Antes mesmo do PT despejar as mentiras sobre “privatização”, “estar do lado dos ricos” e etc. , muita gente já rejeitava Zé Serra. Falta de beleza física? Isso pode ser provado pela aceitação que tem Aécio Neves, com sua pinta de galã.

Mas deixando de lado as impressões da aparência, percebeu-se uma diferença muito grande no diálogo entre os dois, principalmente nos debates: Serra se mostrava seguro, tranquilo, embora longe da perfeição ou de como o esperávamos; Dilma era truculenta, gaguejava, proferia erros de concordância que aparentavam muito mais erros de sinapse entre o tico e o teco naquela cabeça protegida pelo capacete de laquê. Por que então Serra não “destruiu”, com toda a experiência que acumulou com tantos anos de vida pública? É aqui que entra Romário, o atacante: aquele que não perdoava, que toda bola que caía em seus pés dentro da área ia balançar as redes, que não tinha medo de ninguém, e muitas vezes chegava a galopar nas costas da soberba. São esses fatores que faltaram a Serra: talvez por medo dos 80.000% de aprovação de Lula, ele não conseguiu cravar a bola (mudando de esporte), dando aquela enterrada que no basquete levanta a torcida; Serra não conseguiu se desvencilhar do discurso governista/populista/lulista e dar um caráter seu à campanha; ao Zé (como o chamava o velho Plínio), não emplacou, talvez por tentar passar humildade demais (isso mesmo!), colando à imagem de “pobre vencedor” que deu ao atual Presidente apenas um fracasso de bilheteria que foi seu filme eleitoral, digo, biográfico. Serra não emplacou.

Sem a sede de vencer, sem o “sangue no zóio”, ficou difícil muitas vezes torcer para José Serra. Enquanto o PT despejava o galão de mentiras em seu programa eleitoral, o tucano aumentava a carga de populismo, falando de subir o mínimo pra R$600, ou coisa parecida. Enquanto os escândalos de Dilma, Erenice e cia. familiar só cresciam na mídia, Serra falava de fortalecer Bolsa-Família. Ora, por que não desisti? Porque foi exatamente no relaxamento (ou seria relaxo?) de Zé Serra que o PT mostrou sua verdadeira face, principalmente estampada no seu maior líder: um Presidente que vociferava contra adversários, esquecendo da faixa que traz ao peito mesmo quando ela não está ali. Um Presidente inédito, para nossa vergonha.

Um governo que ama a calúnia e a mentira, e uma oposição trêmula e insegura: eis do que é feita nossa situação política atual. Não falarei “que vença o melhor”, pois vence mesmo é quem o povo decide. Pois o melhor a gente sabe quem é, e esse é o meu desejo: José Serra, Presidente do Brasil. Bom voto!

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