75 anos sem Pessoa

Nossa turma está produzindo um evento diferente para uma turma de Relações Públicas: uma exposição sobre Fernando Pessoa, que no dia 30 de novembro completará 75 anos de sua morte. Falar de poesia num evento de comunicação social pode parecer estranho, e realmente o é. Mas nós acreditamos que não haja limite para a verdadeira arte, que ela deve permear toda a nossa existência. E Pessoa é exemplo claro disso: ele não criava, era criação. Produziu tanto que o fez por mais de uma pessoa: fez por Campos, Reis, Caeiro, e outras centenas. Mas mesmo quando era ele mesmo, falando sobre algo mui concreto (as navegações portuguesas de Diogo Cão, no livro “Mensagem”) ele consegue ser genial:

Mensagem, de Fernando Pessoa
(…)

Segunda Parte/ Mar Português
(…)

III. Padrão

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para deante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão signala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

Fonte: PESSOA, Fernando. O Eu profundo e os outros eus: seleção poética. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.54.

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