O melhor para o homem: eis o que quer a “ultrapassada” Igreja Católica

Mais uma vez tenho a oportunidade de escrever sobre meu tema favorito: a Igreja, suas posições e a repercussão de suas posturas. Apesar de não conseguir entender porquê minha religião ainda é tão importante no mundo, porque as falas de seus líderes ocupam as primeiras páginas dos jornais, ou porque tantas pessoas perdem tanto tempo criticando tudo que lá é pregado e dito, gosto muito de que nossas pautas sejam debatidas como interesse público. Só não gosto de debates pautados pela má-fé, onde se acolhe um posicionamento apenas para satirizá-lo ou, pior, para tê-lo como bode expiatório, como referência do que é errado. Todos eles se dizem unânimes que a Igreja possui pensamentos de séculos atrás; por que então não se deixam esses pensamentos de lado? Porque certamente eles tocam em algum ponto importante das nossas vidas e das nossas crenças.

O debate da vez é sobre a camisinha. Acabaram-se as eleições e ninguém lembra mais do aborto e sua polêmica. Ninguém? Nós não! Para a Igreja isso é realmente importante: tanto que o Papa convidou os fiéis do mundo inteiro para fazer uma vigília nessa “virada” de Ano Litúrgico, no próximo sábado. Mas para o grande público, alimentado pela imprensa, a questão é a camisinha, que entrou em pauta depois de ter sido publicado essa semana um livro contendo uma série de entrevistas com o Papa Bento XVI, que parece ser bem interessante. Certamente será publicado em breve em português, com uma chuva de vendas, contendo na capa o subtítulo: “o livro polêmico sobre a camisinha”. Só há uma resposta ao que se diz hoje nos jornais e já a essas bobagens futuras: não existe polêmica. Foi exatamente esse gosto pela Igreja por parte da mídia (bom ou mau) que fez esse alarde todo sobre a questão.

Por que não há polêmica? Ora, o que diz o Papa no trecho? Leiam:

Concentrar-se só no preservativo quer dizer banalizar a sexualidade, e esta banalização representa justamente a perigosa razão pela qual tantas e tantas pessoas não veem mais na sexualidade a expressão do amor, mas apenas uma espécie de droga, a ser ingerida. Por isso também que a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fim de que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercitar o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade.

Pode haver alguns casos justificados, por exemplo quando uma prostituta utiliza um preservativo, e este pode ser o primeiro passo rumo a uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo aquilo que se quer. Entretanto, este não é o modo verdadeiro e próprio para vencer a infecção por HIV. É realmente necessária uma humanização da sexualidade.

Lendo o trecho inteiro – retirado do livro – creio que fica claro como a questão não é tão revolucionária, nem polêmica. O Papa reafirma meia-dúzia de vezes (podem contar!) que a saída para combater a AIDS no mundo todo é uma “humanização da sexualidade”, que vai de encontro à “banalização da sexualidade” que assistimos por aí. Ou não assistimos? Não é necessário fazer parte da juventude do mundo atual (apesar de ser nela que o problema mais se manifesta) para perceber que o sexo se tornou, como diz muito bem Sua Santidade, “uma espécie de droga, a ser ingerida”. E a camisinha, fica onde? Como um “primeiro passo”, como aquela prostituta, que colocou a mão na consciência e viu o risco que está correndo e fazendo os outros correr, e se protege NO HOJE de seu trabalho. Mas a ação efetiva é mudar para uma consciência de que “nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo aquilo que se quer”; ou seja, a solução  final pra ela, certamente, não é passar a usar camisinha, mas sair da prostituição. O preservativo serviria, no caso, como primeiro passo no curtíssimo prazo de sua vida, para uma mudança do modo como está.

Portanto não há necessidade de pessoas que querem “curtir geral” e ser católicos ao mesmo tempo se animarem, dizendo que os ventos mudaram, a situação é outra. A postura da Igreja continua a mesma. “Aproveitar a vida”, como os homens conhecem hoje, se opõe ao ideal cristão, de amar ao próximo como a nós mesmos e como Cristo nos amou, o que inclui amar profundamente os outros e também a si mesmos. Reinaldo Azevedo também saiu em defesa da postura da Igreja e fez uma metáfora que desenha muito bem o que a Igreja defende e sempre defenderá (a não ser que Keith Richards vire Papa algum dia):

Você sairá na chuva, daquelas boas, leitor? Vai se molhar certamente. Com um guarda-chuva, ficará menos encharcado. A questão é outra: vale a pena sair?

Abstinência e fidelidade: eis o que, em suma, a Santa Igreja Católica defende, não apenas para preservar o mundo do HIV, das outras doenças sexualmente transmissíveis ou de uma gravidez indesejável: ela o defende porque sabe que é o melhor para humanizar o homem, para que ele entenda o que é o Amor que o Cristo veio anunciar ao mundo, e o vestiu em Sua própria carne. Pensamento ultrapassado? Se o pensamento “moderno” inclui vulgarização do ser humano, menosprezo pela vida e um egocentrismo sufocante, lutarei para sempre por um mundo de séculos atrás.

Anúncios
Explore posts in the same categories: Religião

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: