Comemorando o “Diaversário”

O ano é composto por 365 dias, que são divididos em semanas e meses. Estes últimos podemos dizer que foram invenções do homem, afinal, qual é a diferença entre uma semana e outra? E qual é a distinção que podemos fazer entre os meses, senão que uns são mais curtos que os outros, o que também foi definido arbitrariamente pela raça humana? Os animais não contam os meses, nem as semanas, nem os anos, nem mesmo as horas: mas sabem muito bem quando um dia se finda e outro inicia. A sucessão de um dia por uma noite e sucessivamente por outro dia é algo que inegavelmente interfere na vida de todos, mesmo naqueles que tentam adulterar seus horários trabalhando de noite e dormindo com o sol claro, muitas vezes pela necessidade.

Fica evidente, portanto, que – à exceção das estações do ano, que interferem na vida de toda a natureza – é o prazo das 24 horas de um dia que produz as regras da existência. Nestas épocas de festas, os mais radicais gostam de dizer: “são dias como todos os outros”, o que não deixa de ser verdade; fora do agito das cidades, o 1º de janeiro é idêntico aos outros 364. Mas um dia nunca é igual ao próximo ou ao anterior: quando levantamos da cama para iniciar nossas atividades nunca imaginamos o que pode acontecer, como poderemos estar ao retornar ao leito. Portanto, a nossa vida é uma sucessão de milhares de dias, alguns de ganhos, outros de perdas; uns de alegrias, outros de tristeza; uns de êxtase, outros de calmaria.

Como, então, fazer do nosso ser algo melhor, mais feliz, mais completo? Ao iniciar de um novo ano – ou próximo de nosso aniversário – começamos a fazer o conhecido planejamento: “nesse novo ano vou fazer regime”, “vou aprender a tocar um instrumento”, “vou fazer mais amigos”, “vou rezar mais”, “vou ficar mais próximo(a) de minha família”, etc. Mas a maioria das pessoas não conseguem cumprir suas promessas exatamente por localizá-la no prazo do “próximo ano”, um período onde hipoteticamente cremos que a Terra dá uma volta em torno do Sol. Mudanças como essas, porém, só são alcançadas se forem vividas e perseguidas todos os dias. Que tal, então, fazermos, em vez de um planejamento anual, um planejamento diário? Olharmos para o que queremos fazer de diferente no “hoje”? E isto ainda guarda outra vantagem: não é necessário data-marco nenhuma para começar: qualquer dia é dia!

Trocando em miúdos: em vez de esperarmos chegar o dia de nosso nascimento para comemorarmos mais um ano de nossa existência, muito mais significativo seria todos os dias comemorarmos nosso “diaversário”, por mais um dia para existir. E resumiríamos, então, toda a nossa vida em nosso “diaversário”, como no aniversário sempre pensamos: “no ano que passou eu trabalhei bem, me relacionei bem, descansei bem, ajudei a mim e a quem precisava no plano corporal, mental e espiritual”, colocaríamos isto num espaço de 24 horas: tudo que necessitamos para viver e ser feliz; não precisaríamos, então, de esperar longamente as férias para descansar: o descanso estaria presente diariamente; não aguardaríamos o Natal para trocar presentes, pois os relacionamentos seriam melhor vividos cotidianamente; não esperaríamos o fim de semana para sair para comer, pois todos os dias nos saciaríamos com o que realmente gostamos, que possivelmente serão as coisas mais simples, às quais nunca empregamos muita atenção.

Todos os dias, então, viveremos celebrantes, felizes e cercados de tudo o que precisamos para nos contentarmos. Se o que nós acreditamos nos saciar começar a nos desgastar demais, veremos que na verdade eram vícios em nossa existência, pois a virtude nunca é demais, mas o excesso de vícios leva ao cansaço e à morte. No início pareceria frustrante, pois não podemos ter tudo o que desejamos, mas depois começaríamos a dar valor ao que realmente importa e esteve sempre conosco. Viveríamos numa rotina, sim! Uma rotina de felicidade, de auto-conhecimento e saciedade. Rotina que não evitaria as tristezas e intempéries do destino, mas que também nos auxiliaria a enfrentar todas elas. Uma boa rotina, sem dúvida.

Viver assim, “diaversariando” todos os dias, seria o ambiente perfeito para viver o presente, não deixando que o passado pese às costas, nem que o futuro tape nossa visão. Não seria um anarquismo temporal, pois tudo pode muito bem continuar como está – as datas comemorativas não seriam inalteradas: pelo contrário, seriam até melhor aproveitadas – mas tempo “comum” não seria mais sinal de tempos monótonos, tempos sem graça, tempos de estresse. Todo o tempo seria de celebração da vida. De corpo, alma e intelecto, “cerebremos” nosso cotidiano neste 2011. Que toda noite seja de Reveillon, e todo dia seja um Dia Novo, aspirado, desejado, ansiado. Feliz “diaversário” a todos!

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